Gisa Barros se destaca na Câmara com postura firme, independente e em defesa da população

Vereadora mantém coerência, fiscaliza o Executivo e se posiciona contra o inchaço da máquina pública

João Batista destaca atuação de Daniel Monteiro: “O vereador mais técnico e atuante de Mato Grosso”

vereador Daniel Monteiro, que vem se destacando por uma postura independente, técnica e coerente, especialmente nas discussões sobre políticas públicas e responsabilidade fiscal.

Ativista João Batista exalta Antonio Joaquim como patrimônio da educação em MT: “Referência ética, técnica e humana”

Professor e defensor dos direitos da infância destaca atuação exemplar do conselheiro do TCE-MT, que articula investimento histórico de R$ 120 milhões em creches no estado

MT publica decreto com nova Tabela SUS para atrair setor privado e acelerar programa

 

MT publica decreto com nova Tabela SUS para atrair setor privado e acelerar programa
A segunda etapa contará com um investimento de R$ 400 milhões para fazer, até o final do ano, 588 mil procedimentos eletivos

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) criou a Tabela SUS Mato Grosso, muito mais atrativa que a tabela nacional, para viabilizar a participação do setor privado e acelerar ainda mais os atendimentos à população na segunda etapa do Programa Fila Zero na Cirurgia. O decreto que detalha a nova tabela foi publicado nesta segunda-feira (27).

O programa tem o objetivo de reduzir a espera por cirurgias através de parcerias com municípios, consórcios intermunicipais de saúde e instituições privadas.

A segunda etapa do programa contará com um investimento de R$ 400 milhões do Governo de Mato Grosso para fazer, até o final do ano, 588 mil procedimentos eletivos.

“Criamos um padrão de precificação que permite uma melhor atratividade dos prestadores como um todo, podendo ser de até quatro vezes o valor da tabela SUS nacional, dependendo do procedimento”, destacou o secretário de Estado de Saúde de Mato Grosso, Juliano Melo.

Na primeira etapa do programa, lançado em abril de 2023, a Secretaria utilizava a tabela SIGTAP/SUS (Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM do Sistema Único de Saúde), atualizada pelo Ministério da Saúde, como base para estabelecer o valor a ser pago pelos procedimentos.

Conforme a secretária adjunta de Atenção e Vigilância à Saúde da SES, Alessandra Moraes, a estratégia foi adotada para atrair mais parceiros privados que não tinham interesse em prestar serviço pelos valores da tabela anterior e, assim, fortalecer o programa.

“Em cirurgias de alta complexidade, as empresas receberão até três vezes a média do custo do paciente da alta, um valor que fica bem mais atrativo, acrescido ainda do custeio de Órteses, Próteses e Materiais Especiais. Estes insumos especiais também terão um acréscimo no valor de meia tabela SIGTAP”, explicou.

O programa “Fila Zero 3.0” agora está dividido em três eixos: o primeiro prevê R$ 200 milhões de investimento para novas propostas dos municípios e consórcios e a publicação da tabela SUS Mato Grosso, mais atrativa do que a nacional; o segundo terá R$ 100 milhões para o credenciamento direto com unidades privadas; e o terceiro recebe investimento de R$ 100 milhões para mutirões de cirurgias na rede estadual.

Até o momento, 88 municípios já participam do Programa Fila Zero. “Estamos fortalecendo o programa para que a gente complete os 100% de cobertura no Estado. Estamos falando de hospitais municipais, hospitais privados que estão sendo contratualizados com as prefeituras, com os consórcios, clínicas, exames e consultas especializadas. É um volume considerável de procedimentos que está previsto nesta etapa”, concluiu Alessandra.

Saiba mais sobre o Programa Fila Zero na Cirurgia

De abril de 2023 até 15 de abril deste ano, o programa já realizou 667.133 procedimentos, sendo 616.815 ambulatoriais e 50.318 hospitalares. Foram, ao todo, 357.730 exames, 205.045 consultas e 101.330 cirurgias no período.

O tempo de espera por procedimento diminuiu de 77 dias, antes do programa, para 44 dias, depois do Fila Zero, uma redução de 42%.

Por meio desta iniciativa, o Estado repassa os recursos previstos para os procedimentos contemplados pelo programa e, desta forma, os entes parceiros se beneficiam do incentivo para aprimorar outros serviços prestados à população.

O programa contempla 465 procedimentos, considerando a média e alta complexidade eletiva. Até o momento, mais de R$ 319 milhões já foram repassados aos parceiros, sendo R$ 175 milhões para produção ambulatorial e R$ 144 milhões para atendimentos hospitalares.

Ex-senador crítica “demagogia” e defende acordo direto entre patrão e empregado sobre 6x1

 

Ex-senador crítica “demagogia” e defende acordo direto entre patrão e empregado sobre 6x1

O ex-senador e CEO do Grupo MC Empreendimentos e Participações, Cidinho Santos, entrou no debate sobre o fim da escala 6x1 com críticas ao que classificou como “demagogia” e reforçou a defesa da livre iniciativa nas relações de trabalho.

Ele citou como exemplo o frigorífico dele União Avícola, em Nova Marilândia, onde afirma que mais de 90% dos colaboradores já atuam no regime 5x2, adotado a partir de negociação direta entre empresa e equipe.

“A discussão sobre o fim da escala 6x1 precisa sair do campo da demagogia e ser trazida para a realidade. E por isso resolvi me posicionar. Na nossa empresa, por exemplo, mais de 90% da equipe já trabalha no regime 5x2, respeitando sempre a negociação direta entre o colaborador e a empresa. Isso é fruto de diálogo, não de imposição governamental”, disse em postagem nas redes sociais no feriado de Tiradentes, em 21 de abril.

No vídeo, o empresário mostrou a rotina de trabalho na unidade e destacou a flexibilidade na organização das jornadas, incluindo acordos para troca de dias de folga conforme a necessidade dos colaboradores.

“Estamos aqui no frigorífico com os nossos colaboradores todos trabalhando. E hoje é feriado. Mas eles, como acordo, trocaram o dia de ontem para o dia de hoje. Aproveitaram o final de semana, ter uma folga mais estendida, e hoje estão trabalhando. Isso que nós queremos falar da liberdade entre patrões e empregados para negociar”.

Cidinho afirmou que mudanças impostas pelo governo na jornada de trabalho não refletem a realidade das empresas e dos trabalhadores, defendendo que esse tipo de definição deve ocorrer no ambiente interno das organizações, com participação dos próprios colaboradores e, quando necessário, dos sindicatos.

“O governo não deveria interferir na liberdade de quem produz e de quem trabalha. Se o objetivo fosse realmente ajudar o trabalhador, ao invés de populismo e manipulação em período eleitoral, deveriam focar no que faria a diferença real no dia a dia.”

Entre as prioridades que, segundo ele, deveriam estar no foco das políticas públicas, estão a liberação recorrente do FGTS, melhores condições de moradia, ampliação de creches e avanços na saúde, especialmente para mulheres e gestantes.

O empresário também alertou para os impactos econômicos de mudanças na jornada sem considerar a dinâmica da produção, afirmando que isso pode elevar custos e pressionar preços.

“Além disso, mudar a escala de trabalho sem olhar para os impactos na produção tem um efeito colateral cruel: o aumento dos preços dos produtos. No fim das contas o maior prejudicado - e quem pagará essa conta - será o próprio trabalhador. A verdade é simples: quando se aumenta o custo de produção à força, os preços sobem e o ‘benefício’ some. Que tenhamos menos política de rede social e mais soluções reais para o Brasil”.

Réu que estuprava enteada e armazenava pornografia com crianças é condenado a 17 anos

 

Réu que estuprava enteada e armazenava pornografia com crianças é condenado a 17 anos

A Justiça de Mato Grosso condenou, em Nova Mutum (248 km de Cuiabá), um homem a 17 anos, oito meses e 22 dias de reclusão, em regime inicial fechado, pela prática dos crimes de estupro de vulnerável e posse e armazenamento de material pornográfico envolvendo criança ou adolescente. 

A denúncia foi oferecida pela promotora de Justiça Ana Carolina R. Alves Fernandes de Oliveira, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), e a sentença foi proferida pela 3ª Vara Criminal da Comarca de Nova Mutum, no dia 10 de abril. 

De acordo com a decisão judicial, restou comprovado que o réu praticou reiteradamente atos de violência sexual contra uma criança, valendo-se da relação de confiança e do vínculo familiar, circunstância que foi considerada como causa de aumento de pena. 

Os crimes ocorreram dentro do ambiente doméstico e se estenderam entre maio e 16 de agosto de 2025. O réu era padrasto da criança. 

Durante a instrução processual, foram produzidas provas testemunhais, periciais e técnicas, incluindo exames que corroboraram a materialidade e a autoria dos delitos. Também ficou demonstrado que o condenado possuía e armazenava, em aparelho celular, arquivos contendo cenas de abuso sexual envolvendo crianças e adolescentes. 

Ao proferir a sentença, a juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski reconheceu a gravidade dos crimes, o alto grau de reprovabilidade da conduta e as consequências extremamente danosas à vítima, fixando pena privativa de liberdade, além de multa e indenização por danos morais.  

Proprietária terá que pagar multa após “mini leopardo doméstico” atacar criança em MT

 

Proprietária terá que pagar multa após “mini leopardo doméstico” atacar criança em MT
Felino invadiu casa vizinha em sequência e atacou criança e um gato persa [Foto ilustrativa]

A Quarta Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) determinou a aplicação de multa de R$ 500 por cada nova invasão de um gato bengal, popularmente conhecido como “mini leopardo doméstico”, em imóvel vizinho, após uma sequência de episódios que incluíram ataques a uma criança e a um gato persa.

O caso revela um histórico reiterado de incursões do animal na residência contígua, com registros que remontam a 31 de julho de 2025. Naquela data, segundo os autos, o felino adentrou o quarto de uma menor, provocando ferimentos físicos. O episódio, por si só grave, não foi isolado. Dias depois, em 8 de agosto, o mesmo animal voltou a invadir o imóvel e atacou o outro felino.

Já em 24 de agosto de 2025, o gato persa foi novamente alvo de ataque, resultando em perfuração abdominal. A gravidade dos ferimentos exigiu internação veterinária e intervenção cirúrgica. Outros quatro episódios foram registrados ao longo do mês de setembro subsequente.

Conforme os autos, mesmo diante de tentativas extrajudiciais de resolução, inclusive com intermediação da administração condominial, as incursões persistiram. Há nos autos, inclusive, indicativos de que a proprietária do gato bengal teria se comprometido a adotar medidas para evitar novas ocorrências, além de ter realizado ressarcimento parcial de despesas veterinárias, providências que, no entanto, não impediram a continuidade dos fatos.

Em primeira instância, o pedido de tutela de urgência foi negado sob o fundamento de necessidade de maior dilação probatória. No entanto, ao reexaminar o caso, a relatora, desembargadora Anglizey Solivan de Oliveira, reconheceu a presença dos requisitos legais para a concessão parcial da medida.

A magistrada destacou que o conjunto probatório, que inclui registros fotográficos, documentos veterinários, boletim de ocorrência e comunicações formais, confere verossimilhança à narrativa e evidencia que os fatos extrapolam o mero dissabor cotidiano. Segundo ela, a reiteração das invasões e a possibilidade concreta de novos episódios configuram risco atual à integridade dos moradores e dos animais.

O colegiado entendeu que, embora o recolhimento compulsório do animal seja medida excessiva neste momento, é legítima a imposição de obrigação à proprietária para que mantenha o gato bengal sob guarda, vigilância e controle rigorosos, de modo a impedir novas incursões.

Como instrumento de efetividade da decisão, foi fixada multa coercitiva de R$ 500 por cada nova invasão devidamente comprovada. O valor, conforme pontuado no acórdão, atende aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, sendo suficiente para inibir a repetição da conduta sem caráter punitivo desmedido.

A decisão consolida o entendimento de que o dever de guarda responsável de animais domésticos inclui a prevenção de danos a terceiros, especialmente quando há histórico de comportamento agressivo e invasivo, cabendo ao Judiciário intervir para assegurar a proteção da integridade física, da propriedade e do ambiente doméstico.

Deputado Eduardo Botelho destaca importância do esporte na abertura dos Jogos Escolares de MT

 

Foto: VANDERSON FERRAZ SANTOS

O deputado Eduardo Botelho (MDB) participou, na noite de sexta-feira (24), da abertura oficial da etapa regional Médio Norte dos Jogos Escolares e Jogos Estudantis de Seleções Mato-grossenses 2026, realizada no Estádio Moça Bonita, em Arenápolis. O parlamentar atendeu convite do prefeito Éder Marquis, anfitrião do evento.

 A competição é realizada pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) em parceria com os municípios sedes das regionais. Arenápolis sedia as disputas da região Médio-Norte, que reúne mais de 1.500 estudantes, com idades entre 12 e 17 anos., representando 16 municípios. Os jogos acontecem em diferentes espaços esportivos da cidade, contemplando modalidades como futsal, vôlei, basquete e handebol, nas categorias masculina e feminina. A iniciativa tem o objetivo também de integração entre os municípios e incentivando o talento esportivo de estudantes da região.

 Durante a solenidade de abertura, Botelho destacou a importância do esporte na formação dos jovens e relembrou sua trajetória como educador, inclusive no próprio município.

“Quero deixar uma mensagem para vocês, participem dessa competição com garra e determinação. Superem o cansaço e os obstáculos, mas, sobretudo, saibam ganhar com humildade e perder com dignidade. Valorizem o trabalho em equipe e levem para a vida as experiências vividas aqui, de luta, companheirismo e solidariedade. Todos vocês já são vencedores por estarem participando”, afirmou o deputado.

O prefeito Éder Marquis ressaltou a parceria com o parlamentar e o apoio contínuo ao desenvolvimento da região. Segundo ele, investimentos em áreas como esporte, educação, saúde e infraestrutura têm impulsionado melhorias concretas nos municípios.

“Quero cumprimentar o deputado Botelho, um dos parlamentares que mais contribuem com Arenápolis. Deputado, o senhor mora no coração dessa cidade, e essa cidade também o abraça. Aqui na região, as coisas acontecem porque temos resultado do trabalho de deputados comprometidos. Mas também contamos com prefeitos corajosos, como o Marronzinho, de Denise, o Jefferson, de Nova Marilândia, e o Luiz Fernandes, de Santo Afonso. Trabalhamos em parceria, tomando decisões conjuntas para melhorar a vida da nossa população. Agradeço a todos vocês por ajudarem a fortalecer a nossa região”, destacou. O prefeito ainda completou enfatizando que esse evento só acontece graças ao trabalho conjunto.

 O secretário municipal de Esportes e Lazer, Douglas Dorileo, enfatizou a dimensão do evento, considerado o maior da fase regional no estado. Ele agradeceu o apoio da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel) e destacou o fortalecimento do esporte no município.

“Hoje temos 16 cidades representadas e mais de 1.500 atletas. Esse crescimento é resultado de uma gestão que prioriza o esporte e de parcerias importantes, como a do deputado Botelho, que sempre destinou recursos para manter nosso calendário esportivo ativo”, afirmou.

 Representando a Diretoria Regional de Educação de Diamantino, Marcileide Felix da Silva destacou o papel dos jogos na formação integral dos estudantes.

“O esporte, aliado à educação, contribui para o desenvolvimento do espírito de coletividade, respeito, disciplina e convivência com a diversidade. Esses jogos são fundamentais para a formação dos nossos jovens”, pontuou

O mato-grossense que parou o Brasil: 42 anos das Diretas Já Max Russi*

 

Foto: GILBERTO LEITE/SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

Eu tinha apenas oito anos, mas percebia em minha cidade as pessoas comentando, torcendo por algo diferente, sem dimensionar a grandeza daquele acontecimento. Alguma coisa estava no ar naquele 25 de abril de 1984. Meus pais acompanhavam pela televisão a movimentação. Motoristas buzinando nas ruas, pessoas se aglomerando em frente ao Congresso Nacional, as galerias do Plenário da Câmara tomadas por homens e mulheres que foram testemunhar um momento capaz de mudar a história do Brasil.

No centro de tudo, um engenheiro civil de Cuiabá, filho de Mato Grosso, com uma proposta simples e revolucionária: deixar o povo escolher o presidente da República. Dante Martins de Oliveira nasceu em Cuiabá em 6 de fevereiro de 1952. Cursou Engenharia Civil na UFRJ, onde se aproximou do movimento estudantil e de grupos de resistência ao regime militar.

De volta ao Mato Grosso, construiu uma trajetória marcada pela coragem. Foi eleito deputado estadual pelo MDB em 1978 e deputado federal pelo PMDB em 1982. Assim que tomou posse, sabia o que precisava fazer. Em 2 de março de 1983, protocolou na Câmara a Proposta de Emenda Constitucional nº 5, para sempre conhecida como a Emenda Dante de Oliveira: restabelecer as eleições diretas para a Presidência da República.

A emenda acendeu uma chama. Nasciam as “Diretas Já”, um movimento que atravessou partidos, classes e gerações. Pelas ruas do Brasil, o grito era um só: queremos votar para presidente. O país havia encontrado sua voz.

Depois de quase duas décadas de governos militares, aquela ideia era dinamite pura. Os militares resistiam, o medo era grande. E ainda assim o movimento foi crescendo. Em janeiro de 1984, cerca de 300 mil pessoas lotaram a Praça da Sé (SP). Em abril, mais de um milhão foram à Candelária (RJ) e outro milhão ao Vale do Anhangabaú (SP), a maior manifestação popular da história do país até então. O Brasil estava vivo. A votação foi marcada para 25 de abril de 1984.

O governo militar pressionou seus aliados, proibiu emissoras de transmitir os votos e decretou medidas de emergência em Brasília. Mesmo assim, 298 deputados votaram a favor. Faltaram apenas 22 votos para os dois terços exigidos. A emenda foi derrubada.

O Brasil foi dormir frustrado. Mas algo havia mudado para sempre. Em 1985, o poder voltou às mãos civis.

Com a Constituição de 1988, vieram os direitos. Em 1989, o povo finalmente votou para presidente. A semente plantada por um deputado mato-grossense havia germinado. Dante seguiu sua trajetória. Foi prefeito de Cuiabá em dois mandatos, ministro do governo Sarney e governador de Mato Grosso por dois mandatos. Faleceu em 6 de julho de 2006, aos 54 anos, vítima de pneumonia agravada por diabetes. Partiu cedo, mas com seu lugar na história garantido.

Como deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, me sinto no dever de celebrar esse filho do nosso Estado. Aquela criança de oito anos não sabia que décadas depois ocuparia um cargo na mesma casa legislativa que Dante ajudou a democratizar.

Lembrar dele não é saudosismo. É um compromisso com os valores que ele representou. O voto popular é sagrado, e Mato Grosso deu ao Brasil um de seus maiores presentes.

*Max Russi é deputado estadual e atual presidente a Assembleia Legislativa de Mato Grosso

Das ruas ao Shopping Popular de Cuiabá: "Essa história, eu vivi" Wilson Santos *

 

Foto: ALEXANDRE ALVES ALONSO

Quando eu olho para o Shopping Popular de Cuiabá, hoje com 31 anos de história, eu não enxergo apenas uma estrutura física, sobretudo depois de tudo o que foi enfrentado, com alagamentos que ocasionou em perdas de mercadorias e um incêndio de grandes proporções que destruiu praticamente toda a edificação. Eu vejo uma trajetória construída com muito esforço, marcada por luta, perdas, resistência e recomeços. E posso afirmar com convicção: essa história, eu vivi.

 Essa caminhada começa muito antes de 1995. Ela nasce ainda no início da década de 80, quando Cuiabá enfrentava um intenso processo de crescimento populacional. A cidade recebia migrantes de várias regiões do país, como Paraná, São Paulo, Pernambuco, Minas Gerais, Goiás, Bahia, Espírito Santo, entre outros. Muitos deles, sem qualificação profissional e acesso ao mercado formal.

 Sem oportunidades, essas pessoas encontraram no comércio ambulante uma forma de sobrevivência. Foi assim que as praças e ruas centrais de Cuiabá - como a Praça da República, Alencastro, Ipiranga, Maria Taquara, Bispo Dom José, Porto e outras - passaram a ser ocupadas de forma desordenada por barracas, carrinhos e vendedores informais. Era uma realidade social dura.

 Esses trabalhadores enfrentavam sol, chuva, fiscalização e, muitas vezes, repressão por parte dos fiscais da prefeitura e policiais militares. Houve apreensões de mercadorias, denúncias de violência e extorsão e situações de confronto. Muitos eram tratados como marginais, quando, na verdade, buscavam apenas trabalhar de forma honesta para o seu sustento e de sua família.

 Ao mesmo tempo, havia pressão do comércio formal que pagava impostos, se sentiam prejudicados e via naquela atividade uma concorrência desleal. A própria população também cobrava a desocupação dos espaços públicos. E eu entendia que este desafio não se tratava apenas de organizar a situação. Era preciso respeitar aquelas pessoas que eram pais e mães de família, trabalhadores da economia informal, sem carteira assinada, sem décimo terceiro, sem qualquer segurança.

 Vale lembrar que, em 1982, surgiu a primeira tentativa de organização com a criação da Associação dos Vendedores Ambulantes de Mato Grosso. Era o início de uma construção coletiva. Dois anos depois, começou a ganhar força a ideia de um “camelódromo” que seria um centro popular de compras que pudesse organizar a atividade e reduzir os conflitos urbanos.

 Na primeira gestão do prefeito Dante de Oliveira, no ano de 1986, foi criado um decreto que instituiu a Comissão de Recuperação da Área Central e do Porto. O objetivo era reorganizar o centro da cidade, preservar o patrimônio histórico e disciplinar o comércio ambulante. Naquele momento, eu atuava como coordenador da Secretaria Municipal de Serviços Públicos da Prefeitura de Cuiabá. Convocamos os vendedores ambulantes para dialogar. Houve resistência. Muitos não queriam sair das ruas, porque dali vinha o sustento. Ao mesmo tempo, comerciantes formais chegaram a ameaçar greve.

 

Em 1987, um levantamento identificou cerca de 270 ambulantes no centro. Diante disso, conduzimos um amplo estudo socioeconômico que durou cerca de oito meses e identificou aproximadamente 400 trabalhadores. Fizemos o cadastramento, fomos até as casas, conhecemos a realidade de cada um. Identificamos quem realmente vivia daquele trabalho e começamos a criar um modelo mais justo. Implantamos o uso de jaleco, crachá e carrinhos padronizados. Foi a primeira organização efetiva do comércio ambulante em Cuiabá - com respeito e sem injustiças. 

 Mas esse avanço não teve continuidade. O motivo deve-se a mudança de gestão municipal, em que o grupo político que assumiu - não conseguiu encontrar uma solução ao comércio informal. Nos anos seguintes, o número de ambulantes voltou a crescer de forma desordenada e chegaram a ser classificados como “clandestinos”. Em 1992, o centro já estava novamente tomado, com forte presença de comércio informal, inclusive de produtos vindos do Paraguai – que eram denominados de ‘muambas’.

 Em 1993, com o retorno de Dante de Oliveira à Prefeitura – no segundo mandato, eu fui chamado novamente, desta vez para ocupar o cargo de secretário de Serviços Públicos, com a missão de reorganizar o centro. Iniciamos a “Operação Limpa Centro”. Suspendemos novas concessões para barracas, quiosques e pontos comerciais e iniciamos um novo recadastramento. E ali retomamos esse capítulo com mais maturidade e uma compreensão mais profunda: não bastava organizar - era preciso criar uma solução definitiva. Foi nesse momento que nasceu a ideia do Shopping Popular. 

 Em 27 de agosto de 1993, começamos esse trabalho. O objetivo era identificar quem realmente dependia da atividade para sobreviver. Eu já era deputado estadual, mas deixei o mandato para assumir a missão de conduzir esse processo e foi uma das tarefas mais desafiadoras que já enfrentei na vida pública. Tivemos que recomeçar do zero. Lidamos com conflitos, interesses divergentes e muitas distorções. Haviam trabalhadores com vários pontos e outros que não tinham nenhum. Foi preciso fazer justiça social e com responsabilidade. E assim, enfrentamos a resistência.

 Naquele período, também investimos em infraestrutura básica para o comércio popular, como banheiros, bebedouros e telefones públicos. Mas, somente, em 10 de outubro de 1994, anunciamos oficialmente o início da obra do Shopping Popular, inicialmente chamada de “Shopping das Mangueiras”. A construção começou no mês seguinte, no bairro Dom Aquino, em uma área de aproximadamente 1.152 metros quadrados.

 Havia limitações financeiras. Inclusive, naquele momento, a própria gestão reconhecia que não conseguiria concluir toda a estrutura. Muitas vezes, foi preciso improvisar, buscar alternativas, contar com a boa vontade e o esforço coletivo para não deixar o projeto parar. Mesmo assim, seguimos.

 No dia 23 de abril de 1995, foi realizada a transferência dos vendedores ambulantes para o novo espaço. Foi um momento histórico, mas também difícil. Muitos não queriam sair do centro. Havia medo e insegurança. Enquanto isso, os lojistas comemoravam a desocupação das ruas, os trabalhadores informais iniciavam uma nova etapa, ainda com estrutura limitada.

 Ao longo dos anos, novos desafios surgiram. Em 2004, problemas de drenagem provocaram alagamentos constantes, causando prejuízos e obrigando muitos comerciantes a recomeçarem várias vezes. Mesmo assim, não desistiram.

 Em 2009, já como prefeito de Cuiabá, retomei essa pauta com foco na modernização do Shopping Popular. Esse processo resultou, em julho de 2015, na inauguração de uma nova estrutura, consolidando o espaço como referência e transformando antigos camelôs em empreendedores formalizados. Mas, a história ainda reservava mais um grande desafio.

 Em julho de 2024, um incêndio destruiu toda a estrutura do Shopping Popular. Mais de 600 famílias foram diretamente afetadas. Todos praticamente perderam tudo. E, mais uma vez, eu vi aquilo que sempre marcou essa trajetória: a capacidade de recomeçar. Sem nenhum recurso público, os próprios comerciantes iniciaram a reconstrução com investimento estimado a R$ 60 milhões. Hoje, mais de 70% da obra já está concluída com recursos próprios dos associados. 

 Ainda se fazia necessária mais recursos para concluir a obra. Diante dessa realidade, procurei o presidente da associação, Misael Galvão, e juntos levamos essa demanda ao Governo do Estado. Apresentamos não apenas um pedido, mas a prova concreta do esforço já feito - uma obra avançada, construída com o suor dos próprios trabalhadores e que precisava de apoio para chegar à sua etapa final.

 Inicialmente, tentamos viabilizar uma doação por parte do Estado, mas isso não foi possível juridicamente, já que se trata de uma entidade privada. Foi então que construímos uma alternativa legal: um financiamento. Assim, todo o projeto para garantir os recursos foi estruturado e elaborado pela própria Desenvolve MT – pertencente ao Governo de Mato Grosso.

 Logo, a gestão estadual encaminhou o projeto de lei à Assembleia Legislativa, no dia 22 de abril, solicitando a autorização para essa operação. A mensagem do governo veio no sentido de garantir até R$ 15 milhões para a conclusão da obra - um recurso essencial para finalizar a estrutura com qualidade. E de forma unânime, todos os deputados estaduais aprovaram a proposta.

Esse avanço representa muito mais do que um investimento financeiro. Representa o reconhecimento de uma história construída sem privilégios, sem facilidades e, até aqui, sem dinheiro público na reconstrução. E ao longo de mais de quatro décadas, eu acompanhei essa trajetória de perto. Vi o início dos ambulantes nas ruas, os conflitos, a organização, a construção do shopping, os desafios estruturais, as perdas e os recomeços.

 O Shopping Popular é o símbolo de um povo que saiu das ruas, enfrentou dificuldades, resistiu às adversidades e construiu, com as próprias mãos, um caminho de dignidade. E eu posso dizer, com toda convicção: Eu estive presente em cada etapa dessa caminhada.

 Essa história, eu vivi.

*Wilson Santos é deputado estadual pela ALMT.