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21/06/2011 - 12:07:00Acorda, Alice!
Sonho de Abicalil com o MEC vira pó de traque
POR BEBETO AMADOR
TURMA DO EPA
Se a vingança é um prato que se come frio, a ex-senadora Serys Slhessarenko (PT) deve ter aberto a geladeira e se empanturrado neste final de semana. Seu maior desafeto no partido – e, quiçá, na política- o ex-deputado Carlos Abicalil, foi abatido em pleno vôo pela reportagem da revista Veja que desvendou o esquema do “Dossiê dos Aloprados”.
O assunto é conveniente para permanecer na pauta, pois interessa à oposição e aos grupos governistas que se engalfinham na disputa por espaço. Na edição desta segunda-feira (20), a maioria dos grandes jornais entrou na história e assim deve ser pelos próximos dias. Há quem fale em CPI. No mínimo, vai ser reaberto o inquérito que o delegado federal Diógenes Curado, atual secretário de Segurança de Mato Grosso, concluiu pelo arquivamento por falta de provas.
O pior (ou melhor, depende do ponto de vista) é que ao desenterrar um esqueleto sepulto faz cinco anos, a reportagem de Veja atingiu não só o passado, mas principalmente o futuro de alguns envolvidos. Até a semana passada, nas bolsas de apostas nos bastidores políticos, Abicalil era cotado para substituir o trapalhão Fernando Haddad no Ministério da Educação.
A revelação de Veja, embasada em gravação de conversas de um dos operadores do esquema, o ex-diretor do Banco do Brasil, Expedito Veloso, buliu com um ministro (Aloísio Mercadante/Ciência e Tecnologia), um ministeriável (Abicalil/Educação) e um senador da base aliada (Blairo Maggi). Todos na condição de vilões na história. E resgatou, como vítimas do processo promovido pelos aloprados, os ex-senadores Serys Slhessarenko e Antero Paes de Barros e o ex-governador José Serra.
Desde que encerrou o segundo mandato na Câmara, em fevereiro deste ano, Abicalil assumiu a Secretaria de Articulação Federativa do MEC, cargo especialmente criado no governo federal para abrigar o petista que disputou sem sucesso o mandato de senador. Bem articulado na cúpula do partido, ele estava em stand by aguardando a primeira reforma ministerial do governo Dilma, onde o atual ministro Haddad é dado como carta fora do baralho.
Os holofotes do dossiê dos aloprados tiram Abicalil da sossegada sombra e o colocam no canto do rinque para purgar as saraivadas da oposição e os estragos do fogo amigo, hoje mais intensos que os próprios petardos de demos e tucanos. A cadeira número 1 do MEC começa a ficar cada dia mais distante.
A possibilidade de Abicalil ascender ao cargo de ministro da Educação era o maior argumento de sustentação da petista Rosa Neide na função congênere em nível estadual. Uma pasta que detém 25% da receita própria do estado está muito além da musculatura exibida pelo PT no estado, hoje restrito a um único deputado estadual. A boa relação com o governo Dilma e o ministeriável Abicalil serviam para refrear o ânimo de quem acha que a Seduc é muita areia para o caminhãozinho do PT de Mato Grosso.
Nem mesmo a boa relação mantida com o movimento sindical (dominado por petistas) parece que persiste. A greve dos professores recrudesce e o Sintep organiza um acampamento em plena avenida do CPA.
Abicalil fez uma aposta de risco na eleição de 2010. Domou a rebeldia do PT local para submeter a legenda às composições regionais que interessavam à candidatura Dilma. Saiu candidato a senador em dobradinha com Blairo Maggi. Colocou o aliado interno Ságuas Moraes em condição privilegiada para disputar a Câmara Federal e isolou a desafeta Serys na máquina partidária e na estrutura comandada pela legenda na administração estadual.
Começou a sofrer tiroteio de várias frentes no auge da campanha. O grupo do senador Blairo Maggi não o queria assim tão forte. Pela oposição quem dava o sarrafo era o ex-senador Antero. Vinculou a ele assuntos pejorativos de campanha, como as questões do aborto, casamento gay, aumentos de impostos e redução de ganhos para aposentados. Na trincheira petista, o próprio grupo de Serys ajudou a empurrá-lo ladeira abaixo. E ainda teve o azarão Pedro Taques correndo por fora e arrebanhando o segundo voto de todo mundo. Não deu outra. O desempenho de Abicalil em Cuiabá, principal colégio eleitoral do estado, ficou abaixo do procurador Mauro, candidato do Psol, que fazia uma campanha artesanal e amadora.
O resultado foi que o PT de Mato Grosso se esfacelou e emagreceu. Mesmo sendo o partido que elege o presidente da República em três mandatos seguidos, a sigla evoluiu negativamente no estado. O grupo liderado por ele ainda tentou se livrar de vez da sombra de Serys, expulsando-a da legenda, mas o movimento acabou brecado pelo diretório nacional.
Disciplinado e aplicado em tudo que faz, Abicalil se mandou para Brasília, ganhou sobrevida no cargo federal criado para ele e aguardava pacientemente a hora de voltar à cena, desta vez como chefe de um dos ministérios mais poderosos e importantes da república. Não deu. Foi abatido pela reportagem feita com base em conversas dos próprios petistas aloprados.
Suas chances de virar ministro no governo Dilma ficaram reduzidas a pó de traque, segundo avaliação da bolsa de apostas dos bastidores. Sem expectativa de futuro, em Brasília, político vira pato manco. Em Mato Grosso, seu grupo vai ter que rebolar para se manter na Seduc e no comando do partido. O PSD vem demonstrando musculatura para cobrar uma Secretaria de peso e o grupo de Serys cava trincheiras para retomar o comando da legenda.
Dizem que desgraça nunca vem desacompanhada. O calvário de Abicalil parece que está apenas no começo. E Serys se empanturra com o prato frio da vingança (cuidado com a balança...).
Sonho de Abicalil com o MEC vira pó de traque
POR BEBETO AMADOR
TURMA DO EPA
Se a vingança é um prato que se come frio, a ex-senadora Serys Slhessarenko (PT) deve ter aberto a geladeira e se empanturrado neste final de semana. Seu maior desafeto no partido – e, quiçá, na política- o ex-deputado Carlos Abicalil, foi abatido em pleno vôo pela reportagem da revista Veja que desvendou o esquema do “Dossiê dos Aloprados”.
O assunto é conveniente para permanecer na pauta, pois interessa à oposição e aos grupos governistas que se engalfinham na disputa por espaço. Na edição desta segunda-feira (20), a maioria dos grandes jornais entrou na história e assim deve ser pelos próximos dias. Há quem fale em CPI. No mínimo, vai ser reaberto o inquérito que o delegado federal Diógenes Curado, atual secretário de Segurança de Mato Grosso, concluiu pelo arquivamento por falta de provas.
O pior (ou melhor, depende do ponto de vista) é que ao desenterrar um esqueleto sepulto faz cinco anos, a reportagem de Veja atingiu não só o passado, mas principalmente o futuro de alguns envolvidos. Até a semana passada, nas bolsas de apostas nos bastidores políticos, Abicalil era cotado para substituir o trapalhão Fernando Haddad no Ministério da Educação.
A revelação de Veja, embasada em gravação de conversas de um dos operadores do esquema, o ex-diretor do Banco do Brasil, Expedito Veloso, buliu com um ministro (Aloísio Mercadante/Ciência e Tecnologia), um ministeriável (Abicalil/Educação) e um senador da base aliada (Blairo Maggi). Todos na condição de vilões na história. E resgatou, como vítimas do processo promovido pelos aloprados, os ex-senadores Serys Slhessarenko e Antero Paes de Barros e o ex-governador José Serra.
Desde que encerrou o segundo mandato na Câmara, em fevereiro deste ano, Abicalil assumiu a Secretaria de Articulação Federativa do MEC, cargo especialmente criado no governo federal para abrigar o petista que disputou sem sucesso o mandato de senador. Bem articulado na cúpula do partido, ele estava em stand by aguardando a primeira reforma ministerial do governo Dilma, onde o atual ministro Haddad é dado como carta fora do baralho.
Os holofotes do dossiê dos aloprados tiram Abicalil da sossegada sombra e o colocam no canto do rinque para purgar as saraivadas da oposição e os estragos do fogo amigo, hoje mais intensos que os próprios petardos de demos e tucanos. A cadeira número 1 do MEC começa a ficar cada dia mais distante.
A possibilidade de Abicalil ascender ao cargo de ministro da Educação era o maior argumento de sustentação da petista Rosa Neide na função congênere em nível estadual. Uma pasta que detém 25% da receita própria do estado está muito além da musculatura exibida pelo PT no estado, hoje restrito a um único deputado estadual. A boa relação com o governo Dilma e o ministeriável Abicalil serviam para refrear o ânimo de quem acha que a Seduc é muita areia para o caminhãozinho do PT de Mato Grosso.
Nem mesmo a boa relação mantida com o movimento sindical (dominado por petistas) parece que persiste. A greve dos professores recrudesce e o Sintep organiza um acampamento em plena avenida do CPA.
Abicalil fez uma aposta de risco na eleição de 2010. Domou a rebeldia do PT local para submeter a legenda às composições regionais que interessavam à candidatura Dilma. Saiu candidato a senador em dobradinha com Blairo Maggi. Colocou o aliado interno Ságuas Moraes em condição privilegiada para disputar a Câmara Federal e isolou a desafeta Serys na máquina partidária e na estrutura comandada pela legenda na administração estadual.
Começou a sofrer tiroteio de várias frentes no auge da campanha. O grupo do senador Blairo Maggi não o queria assim tão forte. Pela oposição quem dava o sarrafo era o ex-senador Antero. Vinculou a ele assuntos pejorativos de campanha, como as questões do aborto, casamento gay, aumentos de impostos e redução de ganhos para aposentados. Na trincheira petista, o próprio grupo de Serys ajudou a empurrá-lo ladeira abaixo. E ainda teve o azarão Pedro Taques correndo por fora e arrebanhando o segundo voto de todo mundo. Não deu outra. O desempenho de Abicalil em Cuiabá, principal colégio eleitoral do estado, ficou abaixo do procurador Mauro, candidato do Psol, que fazia uma campanha artesanal e amadora.
O resultado foi que o PT de Mato Grosso se esfacelou e emagreceu. Mesmo sendo o partido que elege o presidente da República em três mandatos seguidos, a sigla evoluiu negativamente no estado. O grupo liderado por ele ainda tentou se livrar de vez da sombra de Serys, expulsando-a da legenda, mas o movimento acabou brecado pelo diretório nacional.
Disciplinado e aplicado em tudo que faz, Abicalil se mandou para Brasília, ganhou sobrevida no cargo federal criado para ele e aguardava pacientemente a hora de voltar à cena, desta vez como chefe de um dos ministérios mais poderosos e importantes da república. Não deu. Foi abatido pela reportagem feita com base em conversas dos próprios petistas aloprados.
Suas chances de virar ministro no governo Dilma ficaram reduzidas a pó de traque, segundo avaliação da bolsa de apostas dos bastidores. Sem expectativa de futuro, em Brasília, político vira pato manco. Em Mato Grosso, seu grupo vai ter que rebolar para se manter na Seduc e no comando do partido. O PSD vem demonstrando musculatura para cobrar uma Secretaria de peso e o grupo de Serys cava trincheiras para retomar o comando da legenda.
Dizem que desgraça nunca vem desacompanhada. O calvário de Abicalil parece que está apenas no começo. E Serys se empanturra com o prato frio da vingança (cuidado com a balança...).






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