Viúva de executivo da Yoki não escondia ciúme e preocupação de ser trocada por outraSÃO PAULO - Quatro dias depois de matar e esquartejar o marido, Elize Kitano Matsunaga, de 30 anos, foi ao pequeno salão de beleza próximo ao prédio onde morava, na Vila Leopoldina, bairro paulistano em que prédios de altíssimo padrão surgem entre casas térreas fincadas em grandes terrenos. Lá, com o trabalho de um colorista, trocou o tom de castanho acobreado dos cabelos pelo louro platinado. Mais silenciosa que o habitual, dizem os funcionários, também fez as unhas dos pés e das mãos, sem, em momento algum, tirar do rosto os óculos escuros.— Ela estava triste, com voz embargada, nem falou direito com as pessoas do salão, mas não dava para desconfiar, né? — disse um funcionário do salão, na última sexta-feira.Segundo a polícia, Elize confessou na quarta-feira ter matado com um tiro na cabeça o marido, o empresário Marcos Matsunaga, de 40 anos, diretor executivo da Yoki. Dez horas depois do disparo, ela seccionou o corpo do marido e guardou os pedaços em três malas. A filha do casal, de 1 ano e meio, dormia num dos quartos da cobertura de 500 metros quadrados, avaliada em R$ 5 milhões, para onde ela se mudou dois anos atrás para morar com Marcos.Até casar, Elize se submeteu à condição de amante. Matsunaga era casado havia seis anos e tinha outra filha. Ela, por sua vez, tinha perfil num site destinado a garotas de programa que combinavam os serviços pela internet, através do qual se conheceram. Aos amigos, segundo relatos na delegacia, ela não escondia a preocupação de ser trocada por outra mulher. A paixão iniciada em 2004 começou a diminuir logo após o nascimento da filha do casal. Com ciúmes, chegou a contratar detetive para seguir os passos do marido. Em cada discussão, o passado de Elize começou a pesar na relação dos dois.— Eles começaram a brigar muito, e ele pensou em tomar a guarda da filha, ameaçando falar do passado dela na Vara da Família — conta o advogado de Elize, Luciano Santoro, que chegou a dar aulas para ela na Faculdade de Direito da Universidade Paulista , onde ela se formou em 2010. Com o diploma nas mãos, a jovem fez curso para trabalhar como leiloeira oficial. O casal tinha planos de atuar na área de leilão de bebidas.Reverendo teria alertado vítima para se prevenirOs pais de Marcos Matsunaga decidiram que, por enquanto, não entrarão na Justiça pela guarda da neta. Rose, tia de Elize, é quem está no apartamento cuidando da criança.— Elize chorou muito e em nenhum momento se mostrou preocupada com ela, mas sim com a filha. Ela tinha medo de perder a guarda da filha e agora está triste porque não poderá ficar ao lado da criança — reforça o advogado.A formação de Elize em Direito chamou a atenção dos parentes em Chopinzinho, cidade de 20 mil habitantes a 400km de Curitiba, no Paraná. Até se formar no ensino médio de uma escola pública, a jovem dividia seu tempo entre a escola e as peças de artesanato que confeccionava junto com a mãe para ajudar na renda familiar. O pai dela morreu há três anos. A mãe, Dilta Araújo, de 56 anos, servidora pública da prefeitura da cidade, luta há cinco anos contra um câncer no intestino, e são os vizinhos da rua que se revezam na tarefa de tentar acalmá-la.— A Elize sempre foi muito prestativa. Fazia de tudo para ajudar a família — diz Auro Garcia, amigo da família transformado nos últimos dias numa espécie de porta-voz da família em Chopinzinho. — Aqui na cidade ninguém tem o que falar mal da Elize. Todo mundo a conhecia, e ela sempre foi uma garota gentil — diz Auro.Aos 22 anos, Elize se despediu da mãe na rodoviária da cidade. Pegou um ônibus e seguiu para Curitiba, onde se matriculou num curso de Enfermagem de um hospital público. Estudou por três anos, até que teria conhecido umas garotas que a convidaram a trabalhar com o que “mudaria sua vida”.— Ele teria feito só uns três ou quatro serviços. Logo ela conheceu o Marcos e decidiu que não ia mais fazer programa para sobreviver — disse Santoro, que tem divulgado o passado de Elize provavelmente como forma de mostrar uma eventual estratégia de Matsunaga de conseguir a guarda da filha provando que a mulher já havia se prostituído.Em 2007, após o namoro às escondidas, Matsunaga pediu separação da primeira mulher e convidou Elize para morar com ele. Casaram-se dois anos depois, numa cerimônia reservada em igreja anglicana da Vila Brasilândia, na zona norte de São Paulo. Costumavam frequentar as missas aos domingos.— O reverendo os conhecia muito bem. Uma semana antes do crime, ele chegou a alertar o Marcos para se prevenir da Elize. Isso está no depoimento que o reverendo deu à polícia — contou Luiz Luiz Flávio Borges D’Urso, advogado da família de Matsunaga.Mesmo no papel de acusador, D’Urso diz que nunca ouviu do pai ou do irmão de Matsunaga qualquer crítica à conduta de Elize nos últimos anos.— Todos diziam que ela era discreta e educada — disse.
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SÃO PAULO - Quatro dias depois de matar e esquartejar o marido, Elize Kitano Matsunaga, de 30 anos, foi ao pequeno salão de beleza próximo ao prédio onde morava, na Vila Leopoldina, bairro paulistano em que prédios de altíssimo padrão surgem entre casas térreas fincadas em grandes terrenos. Lá, com o trabalho de um colorista, trocou o tom de castanho acobreado dos cabelos pelo louro platinado. Mais silenciosa que o habitual, dizem os funcionários, também fez as unhas dos pés e das mãos, sem, em momento algum, tirar do rosto os óculos escuros.
— Ela estava triste, com voz embargada, nem falou direito com as pessoas do salão, mas não dava para desconfiar, né? — disse um funcionário do salão, na última sexta-feira.
Segundo a polícia, Elize confessou na quarta-feira ter matado com um tiro na cabeça o marido, o empresário Marcos Matsunaga, de 40 anos, diretor executivo da Yoki. Dez horas depois do disparo, ela seccionou o corpo do marido e guardou os pedaços em três malas. A filha do casal, de 1 ano e meio, dormia num dos quartos da cobertura de 500 metros quadrados, avaliada em R$ 5 milhões, para onde ela se mudou dois anos atrás para morar com Marcos.
Até casar, Elize se submeteu à condição de amante. Matsunaga era casado havia seis anos e tinha outra filha. Ela, por sua vez, tinha perfil num site destinado a garotas de programa que combinavam os serviços pela internet, através do qual se conheceram. Aos amigos, segundo relatos na delegacia, ela não escondia a preocupação de ser trocada por outra mulher. A paixão iniciada em 2004 começou a diminuir logo após o nascimento da filha do casal. Com ciúmes, chegou a contratar detetive para seguir os passos do marido. Em cada discussão, o passado de Elize começou a pesar na relação dos dois.
— Eles começaram a brigar muito, e ele pensou em tomar a guarda da filha, ameaçando falar do passado dela na Vara da Família — conta o advogado de Elize, Luciano Santoro, que chegou a dar aulas para ela na Faculdade de Direito da Universidade Paulista , onde ela se formou em 2010. Com o diploma nas mãos, a jovem fez curso para trabalhar como leiloeira oficial. O casal tinha planos de atuar na área de leilão de bebidas.
Reverendo teria alertado vítima para se prevenir
Os pais de Marcos Matsunaga decidiram que, por enquanto, não entrarão na Justiça pela guarda da neta. Rose, tia de Elize, é quem está no apartamento cuidando da criança.
— Elize chorou muito e em nenhum momento se mostrou preocupada com ela, mas sim com a filha. Ela tinha medo de perder a guarda da filha e agora está triste porque não poderá ficar ao lado da criança — reforça o advogado.
A formação de Elize em Direito chamou a atenção dos parentes em Chopinzinho, cidade de 20 mil habitantes a 400km de Curitiba, no Paraná. Até se formar no ensino médio de uma escola pública, a jovem dividia seu tempo entre a escola e as peças de artesanato que confeccionava junto com a mãe para ajudar na renda familiar. O pai dela morreu há três anos. A mãe, Dilta Araújo, de 56 anos, servidora pública da prefeitura da cidade, luta há cinco anos contra um câncer no intestino, e são os vizinhos da rua que se revezam na tarefa de tentar acalmá-la.
— A Elize sempre foi muito prestativa. Fazia de tudo para ajudar a família — diz Auro Garcia, amigo da família transformado nos últimos dias numa espécie de porta-voz da família em Chopinzinho. — Aqui na cidade ninguém tem o que falar mal da Elize. Todo mundo a conhecia, e ela sempre foi uma garota gentil — diz Auro.
Aos 22 anos, Elize se despediu da mãe na rodoviária da cidade. Pegou um ônibus e seguiu para Curitiba, onde se matriculou num curso de Enfermagem de um hospital público. Estudou por três anos, até que teria conhecido umas garotas que a convidaram a trabalhar com o que “mudaria sua vida”.
— Ele teria feito só uns três ou quatro serviços. Logo ela conheceu o Marcos e decidiu que não ia mais fazer programa para sobreviver — disse Santoro, que tem divulgado o passado de Elize provavelmente como forma de mostrar uma eventual estratégia de Matsunaga de conseguir a guarda da filha provando que a mulher já havia se prostituído.
Em 2007, após o namoro às escondidas, Matsunaga pediu separação da primeira mulher e convidou Elize para morar com ele. Casaram-se dois anos depois, numa cerimônia reservada em igreja anglicana da Vila Brasilândia, na zona norte de São Paulo. Costumavam frequentar as missas aos domingos.
— O reverendo os conhecia muito bem. Uma semana antes do crime, ele chegou a alertar o Marcos para se prevenir da Elize. Isso está no depoimento que o reverendo deu à polícia — contou Luiz Luiz Flávio Borges D’Urso, advogado da família de Matsunaga.
Mesmo no papel de acusador, D’Urso diz que nunca ouviu do pai ou do irmão de Matsunaga qualquer crítica à conduta de Elize nos últimos anos.
— Todos diziam que ela era discreta e educada — disse.






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