OPERAÇÃO- Denuncia de Pedro Taques abala governo do Estado, PF "visita" Mauro e Fabio Garcia

Pedro Taques X Mauro Mendes. No ranking o duelo dos Titãs.

Pedro Taques X Mauro Mendes. No ranking o duelo dos Titãs.

Durante meses, muitos trataram as denúncias feitas pelo ex-governador e ex-senador Pedro Taques como mero embate político. Afinal, Taques e Mauro Mendes são adversários históricos na política mato-grossense, ambos com pretensões eleitorais para o Senado.

Entretanto, a Operação Heritage, deflagrada nesta quinta-feira pela Polícia Federal, muda o contexto do debate público.

É importante registrar um ponto essencial: ninguém pode ser considerado culpado antes da conclusão das investigações e do devido processo legal. Mauro Mendes, o deputado federal Fábio Garcia e os demais investigados têm assegurados todos os direitos constitucionais de defesa e presunção de inocência.

Mas também é verdade que uma operação autorizada pelo Supremo Tribunal Federal, com mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e quebra de sigilos bancário e fiscal, demonstra que os fatos narrados anteriormente ultrapassaram o campo exclusivamente político.

Em março deste ano, durante depoimento à CPI do Crime Organizado do Senado, Pedro Taques apresentou uma série de documentos e afirmou que recursos decorrentes do acordo firmado entre o Estado de Mato Grosso e a empresa Oi S.A. teriam percorrido uma cadeia de fundos de investimento administrados pelo Banco Master, chegando, segundo sua narrativa, a empresas ligadas a familiares e aliados políticos do então governador Mauro Mendes.

Na ocasião, Taques também sustentou que os fundos de investimento passaram a representar um ambiente propício para operações de ocultação patrimonial e lavagem de dinheiro, defendendo que órgãos de controle aprofundassem a fiscalização sobre essas estruturas.

As declarações provocaram reações imediatas. Parlamentares lembraram que existia um contexto de disputa política entre Taques e Mauro Mendes, mas também ressaltaram que esse fato, por si só, não invalidava as informações apresentadas, que deveriam ser analisadas pelos órgãos competentes.

Agora, meses depois, a Polícia Federal confirmou a existência de uma investigação sobre o acordo de aproximadamente R$ 308 milhões firmado entre o Estado e a operadora de telefonia. Segundo a PF, há suspeitas de organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso de informação privilegiada. A operação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal e atinge, entre outros investigados, Mauro Mendes, o deputado federal Fábio Garcia, o desembargador Ricardo Almeida e o conselheiro do CNJ Ulisses Rabaneda.

Não cabe à imprensa condenar ninguém.

Também não cabe absolver previamente.

O papel do jornalismo é registrar os fatos.

E o fato é que muitas das suspeitas levantadas por Pedro Taques deixaram de ser apenas declarações de um adversário político para se tornarem objeto de investigação conduzida pela Polícia Federal, sob supervisão do Supremo Tribunal Federal.

Isso não representa uma condenação.

Representa, contudo, que as acusações apresentadas mereceram a atenção das instituições responsáveis pela persecução penal.

A democracia funciona justamente assim.

Denúncias são apresentadas.

Órgãos de controle investigam.

O Ministério Público acusa, se entender que existem provas.

E o Judiciário julga.

Independentemente do resultado final, uma conclusão já pode ser extraída: críticas e denúncias fundamentadas não podem ser descartadas apenas porque partem de adversários políticos.

A história demonstra que muitas investigações relevantes começaram exatamente dessa forma.

Agora, cabe à Polícia Federal, ao Ministério Público e ao Supremo Tribunal Federal esclarecer se houve ou não irregularidades.

Somente ao final desse processo será possível afirmar quem tinha razão no mérito jurídico.

Até lá, permanece uma constatação inegável: aquilo que muitos classificavam apenas como discurso político tornou-se uma investigação oficial da Polícia Federal.

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