Resistência à pressão e ao volume, verificação de orifícios, comprimento, largura, espessura. Esses são os principais ensaios pelos quais passam os preservativos antes de chegar às prateleiras das farmácias e, em seguida, às carteiras e bolsas dos consumidores, para garantir não só a qualidade do produto, mas a saúde de quem faz uso dele.
Desde 1995 a camisinha tem certificação compulsória pelo Inmetro. De lá para cada, os índices de não conformidade - próximos de 100% no início da década de 90, antes da implantação do programa - vêm caindo de forma tão contundente que nos últimos seis meses chegaram a zero. Ou seja, não foi encontrado, em fiscalizações e testes, nada que pudesse colocar o usuário em risco.
“A certificação é uma evidência de que o preservativo é seguro. Nos últimos três anos, as falhas que encontramos nas fiscalizações e ensaios são relacionadas à falta de informações na rotulagem, e mesmo estas já foram regularizadas”, afirma Marcelo Monteiro, gerente da Divisão de Fiscalização e Verificação da Conformidade do Inmetro.
Para cada lote de preservativos fabricado ou importado pelo Brasil, são feitos 1.100 testes, segundo Janaína Dallas Fonseca da Silva, tecnologista e responsável técnica do laboratório onde são realizados os ensaios, no Instituto Nacional de Tecnologia (INT). São comercializadas, no país, 4.200 marcas de camisinhas certificadas, não só pelo INT, mas por outros laboratórios acreditados pelo Inmetro.
Os ensaios realizados nos preservativos apresentados nesta terceira reportagem da série sobre os bastidores do Inmetro garantem ao produto uma certificação de saúde. Não por acaso, o programa está ligado ao Ministério da Saúde. O uso de preservativo é considerado tão estratégico para a proteção dos cidadãos contra doenças sexualmente transmissíveis, especialmente a aids, que o governo federal tem hoje uma fábrica do produto, em Xapuri, no Acre, a Natex. Lá são produzidas cem milhões de camisinhas por ano, número que deve dobrar até 2015, mas ainda muito aquém do volume distribuído gratuitamente pela rede pública: 1,2 bilhão de unidades.
Escolha do produto adequado garante a segurança do usuário
O produto está garantido pelo selo, mas a segurança do usuário dependerá do uso adequado do preservativo, destaca Ellen Zita, assessora técnica do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde: “Usar preservativo em todas as relações sexuais é questão de educação. E isso ainda não é a realidade. Uma vez que se deixe de usar é o suficiente para transmissão do HIV. É preciso adotar o uso do preservativo como qualidade de vida. É preciso educar para que os jovens iniciem sua vida sexual usando-o. O mais difícil é trabalhar com quem iniciou sua vida sexual nos anos 60, em meio à liberação sexual e o uso de anticoncepcional. Tanto é que o número de pessoas com aids na faixa de 70, 80 anos vem crescendo.
Na última Pesquisa de Comportamento, Atitudes e Práticas da População Brasileira do Ministério da Saúde, de 2008, o percentual de jovens de 15 a 24 anos que declarou usar preservativo em todas as relações nos últimos 12 meses era de 32,6%. Na faixa de 50 a 64 anos esse percentual caiu a 10,5%.
Ellen ressalta ainda que é preciso saber qual o preservativo mais adequado. Isso porque, explica, a escolha errada da largura da camisinha é responsável pelos dois problemas mais frequentes relativos a mau uso: estouro e falta de aderência.
“Nas embalagens é informada uma largura nominal, que, fique claro, não é tamanho. Um adolescente, por exemplo, não pode usar um preservativo com largura de 52mm, pois pode escorregar. Da mesma forma, o uso de uma largura menor que a adequada pode levar a estouro. O preservativo deve ser visto como um acessório que se deveria experimentar antes de usar para ver qual o mais adequado, o de 49, 52 ou 55 milímetros de largura”, diz Ellen.
Também é importante, lembra ela, guardar corretamente o preservativo: “Ao guardar no bolso e na carteira, é preciso verificar se a embalagem está danificada antes do uso. A exposição ao sol também pode degradar o preservativo”.
José Edson Ferreira, agente fiscalizador do Instituto de Pesos e Medidas do Rio (Ipem-RJ), ensina o que se deve verificar, a exemplo do que é feito na fiscalização, na hora de comprar: “Primeiro, se há o selo do Inmetro na embalagem, depois as instruções de uso e, por fim, a validade”.
Fonte: O Globo






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