PEDOFILIA MT:ABUSO:EXPLORAÇÃO:TRÁFICO DE PESSOAS:Soldados da ONU: exigiam sexo por comida, celular ou eletricidade





"Há muitos problemas em relação às forças de paz", conta Inga Britt-Ahlenius, que foi diretora do Oios (Office of Internal Oversight, nome em inglês), uma espécie de controladoria da ONU, entre 2005 e 2010. "O maior problema é o acordo com os países que contribuem com as força de paz, segundo o qual eles têm a responsabilidade de investigar e punir os seus soldados acusados de abusos. A ONU não tem nenhum poder de aplicar a lei mesmo nos casos em que o Oios faz a investigação e produz um relatório sobre o caso", diz ela.   "Também há o problema de alta rotatividade. Os soldados só ficam no país por seis meses e, por muitas vezes, são repatriados antes que a investigação preliminar possa estar concluída", diz Ahlenius. Durante seu período à frente do Oios, ela iniciou dezenas de investigações de abusos sexuais cometidos por soldados da ONU. O número oficial de casos investigados envolvendo explorações sexuais e abusos foi reduzido de 108 em 2007 para 33 em 2010. Porém, mais de 200 acusações do tipo continuam sem solução. 

Sexo por comida, celular ou eletricidade

Uma rápida consulta aos relatórios do Oios revela outros casos investigados internamente por "exploração sexual e abuso". Poucos deles chegaram à opinião pública, embora um relatório da instituição de 2005 sugerisse que a Minustah deveria "considerar informar a população local sobre casos de má conduta sob investigação", além dos resultados de investigações e a decisões finais. Por sua vez, a Minustah respondeu que a população local deveria ser consultada “caso a caso” e que "não deveria haver uma regra geral para informar o público sobre esses casos". O mesmo relatório afirmava que "um numero significativo de membros da equipe (61%) admite a existência de mau comportamento, mas este não é detectado e punido". 
Um dos casos mais rumorosos ocorreu em 2007 e levou ao repatriamento de 114 soldados do Sri Lanka, incluindo o vice-comandante do contingente. Eles foram acusados de "transações sexuais, particularmente com o pagamento a prostitutas, algumas delas adolescentes". "Em troca de sexo, as crianças recebiam pequenas quantidades de dinheiro, comida e, algumas vezes, celulares", diz o relatório da ONU. "A Oios descobriu que a exploração sexual e o abuso eram frequentes, ocorriam normalmente à noite e virtualmente em todas as localidades onde o contingente era empregado". Nesse caso, apontado por Ahlenius como uma exceção, os soldados enfrentaram julgamento militar ao retornar para o seu país. "Foram repatriados rapidamente e passaram por uma corte marcial. O Sri Lanka pediu a nossa ajuda, e nós colaboramos para a instrução do processo. Mas é o único caso que eu conheço em que as descobertas do relatório foram levadas a cabo". 

Outro relatório da ONU, este de 2008, aponta, sem revelar a nacionalidade dos soldados envolvidos, que "membros do contingente militar trocaram comida por serviços sexuais com duas mulheres locais, uma das quais, menor de idade. A Oios também descobriu que a menina deu à luz a uma criança em um veículo militar, na companhia de diversos soldados, a caminho do hospital. O bebê seria filho de um oficial". Como relatado por Ahlenius, o documento conta que o Oios "referiu o caso ao país contribuinte para que tomasse a ação apropriada. No entanto, o departamento não recebeu nenhuma resposta". No começo deste ano, a controladoria reporta outro abuso em troca de sexo: "O Oios concluiu que um oficial sênior facilitou o emprego casual de uma mulher local e conseguiu prover uma ligação clandestina de eletricidade para outra, em troca de favores sexuais; e que três soldados travaram relações sexuais com mulheres locais que resultaram no nascimento de crianças".

Fonte: Opera Mundi

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