PEDOFILIA MT:Mãe de jovem estuprada diz que é preciso coragem para buscar justiça


Pela primeira vez após seis anos, a mãe de uma ex-estudante de Arquitetura da PUC-Campinas, estuprada durante uma festa estudantil em 2005, conversou com a imprensa e relatou como foi o drama que a família enfrentou durante o processo que resultou na condenação de dois ex-alunos da mesma universidade, acusados pelo crime. Ela acredita que valeu a pena todos os esforços da batalha jurídica e o sofrimento para que a "filha tivesse a vida de volta".
Em entrevista exclusiva à EPTV, a mãe da jovem conta que foram seis anos de angústia na luta pela condenação dos estupradores, até a decisão em segunda instância. "Não dá para descrever os momentos que passamos depois do crime. A nossa vida mudou". Na quinta-feira (6), o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) decidiu manter a pena de sete anos e seis meses de prisão no regime semi-aberto. Eles ainda não foram presos, mas a Justiça de Campinas deve expedir os mandados em breve.
Na época do estupro, a jovem tinha 25 anos. A vítima disse em depoimento à polícia que não se lembrava de como foi violentada porque estava inconsciente. Ela contou ainda que tomou uma bebida oferecida por outros estudantes, e que acordou no dia seguinte no quarto de uma república estudantil, seminua e com dores no corpo. Fotos encontradas no computador dos acusados mostram a jovem desacordada. A mãe defende que a filha foi estuprada por mais de duas pessoas, mas que não foi possível provar o envolvimento de outras pessoas. Ela se baseia no relato de duas testemunhas, que moravam em uma república em frente ao local do crime. Os condenados podem entrar com recurso no Superior Tribunal de Justiça.
Após receber a notícia, a mãe ficou sete dias sem conseguir dormir. A família se uniu para ajudar na recuperação da jovem. Além de transferir a filha para uma universidade de São Paulo e alugar um apartamento para ela, uma equipe de peritos foi contratada para encontrar provas que incriminassem os estudantes. A família gastou R$ 300 mil neste processo. "Apesar de tudo, sinto que cumpri a missão. A condenação fecha um ciclo de muito trabalho e muito investimento. Agora podemos deixar o que aconteceu no passado", disse a mãe.
Além do apoio da família, a mãe defende que a coragem da filha foi fundamental para enfrentar o trauma. Segundo a psicóloga Patrícia Queiroz, não são todas as mulheres que têm esta coragem. "É uma violência muito grande para a mulher. E quando ela vai denunciar, a mulher precisa passar por diversas situações de exposição, e mais uma vez é preciso enfrentar a dor do que aconteceu e lembrar o trauma várias vezes. Por isso, elas evitam este processo para não se expor mais", explica a especialista.
Ainda de acordo com a psicóloga, a condenação nesses casos traz alívio, mas não é capaz de recuperar totalmente a vítima de estupro. "Por mais que seja feita a Justiça, a cicatriz deixada na vítima do estupro não sara sem a ajuda da família e de especialistas", explica Patrícia Queiroz.
A mãe da ex-aluna da PUC-Campinas espera que o caso da filha sirva de exemplo, para que outras vítimas denunciem os estupros e cobrem a Justiça.
O caso
O estupro teria acontecido após uma festa de confraternização de estudantes, em Campinas. No depoimento, a universitária disse ter perdido a consciência depois de tomar uma bebida. No dia seguinte teria acordado em uma república seminua, com dores de cabeça e no corpo. Os dois estudantes, um de Arquitetura e outro de Jornalismo, também da PUC-Campinas, foram presos temporariamente após investigação. Na república, a polícia encontrou fotos que estão sendo usadas como provas da violência e do uso de lança-perfume.

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