Júlia Guimarães
A Polícia Civil de Mogi das Cruzes registra a cada cinco horas, em média, uma agressão contra mulheres mogianas. Os ataques são dos mais diversos tipos, desde o psicológico até o sexual, e envolvem vítimas de todas as idades. Os dados dos boletins de ocorrência estão sendo encaminhados pelas próprias delegacias à Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde desde fevereiro do ano passado, sendo que as informações referentes a 2011 acabaram de ser fechadas pela Pasta e foram disponibilizadas, com exclusividade, a O Diário. Elas servirão de subsídio para identificação do perfil das vítimas e dos agressores e formatação de futuras políticas públicas de prevenção e combate à violência na Cidade. Amanhã, a Prefeitura dará um dos primeiros passos na busca pela conscientização da população com a realização de duas Caminhadas pela Paz, no Centro e no Distrito de Jundiapeba.
A médica da Divisão de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde, Tereza Nihei, explica que, desde o dia 1 de fevereiro de 2011, o órgão está recebendo cópias dos boletins de ocorrência elaborados pelas delegacias da Cidade. Os registros que chegam à Pasta passam por uma triagem prévia da própria Polícia e referem-se a violências contra crianças, adolescentes, mulheres e idosos. Com os dados, o órgão realizou um amplo trabalho com levantamentos estatísticos que indicam o perfil das vítimas e podem ser conferidos nos quadros publicados nessa página. As pequenas diferenças no número total de ocorrências, existente entre as tabelas, devem-se a imprecisões de informações prestadas pelos denunciantes no momento dos registros.
O dado que mais chama a atenção é que entre os 1.681 boletins de ocorrência em que constam os sexos das vítimas, há um total de 1.587, ou 94%, em que as queixas foram prestadas por mulheres. Isso quer dizer que nos 334 dias do período compreendido entre 1 de fevereiro e 31 de dezembro de 2011, a média foi de 4,75 boletins de ocorrência por dia, ou uma agressão registrada a cada cinco horas contra mulheres na Cidade. Além do sexo, os dados da Polícia Civil também revelam a faixa etária das vítimas em 1.682 boletins de ocorrência. A grande maioria, um total de 77%, foi contra pessoas com idade entre 19 e 59 anos. As crianças e adolescentes, entre 1 e 18 anos, referem-se a 17% dos casos, com o registro de 282 menores violentados. Já os idosos foram responsáveis por 6% das queixas, ou 96 dos episódios de violência.
As estatísticas computadas pela Vigilância Epidemiológica ainda revelam quais são os tipos de violência sofridos pelas vítimas mogianas. O mais comum, com 800 queixas apresentadas, é de agressão psicológica, que se referem a chantagens, ameaças ou xingamentos. Em segundo lugar, com 770 registros, aparece o ataque físico e, em terceiro, com 74 boletins de ocorrência, surge o abuso sexual. Além disso, no entanto, também há registros de violência financeira, institucional (quando as queixas são de mau atendimento em órgãos públicos) ou de negligência (normalmente cometidos por familiares contra idosos ou crianças).
Tereza Nihei explica ainda que o boletins de ocorrência encaminhados pela Polícia Civil são instrumentos importantes de identificação do perfil das vítimas de violência na Cidade e de definição de políticas públicas voltadas ao tema. "Com estes dados, vejo que as maiores vítimas são as mulheres, identifico quais os tipos de violência mais importantes e consigo verificar o que tenho que fazer. Então a gente espera que com isso, a gente consiga ter alguma política para fazer um atendimento adequado para essas mulheres".
A médica destaca que os números presentes neste primeiro levantamento são apenas uma amostragem e que, na verdade, as agressões devem ser bem maiores. Ela lembra que muitas vítimas e familiares têm medo de denunciar e que, por isso, a maior parte dos casos não é registrado. "É importante que as pessoas acordem e se conscientizem de que a violência existe e que algo precisa ser feito".
Combate a Exploração Sexual:MT:A cada 5 horas, 1 mulher agredida
maio 17, 2012
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