Exército do 'tuk-tuk' percorre Phnom Penh no combate à pedofilia

Laura Villadiego.

Phnom Penh, 7 mai (EFE).- A legião de motoristas de 'tuk-tuk', o transporte mais popular do Camboja, percorre diariamente as ruas de Phnom Penh para ser os olhos e os ouvidos das organizações que tentam pôr fim à pedofilia no país.

Em uma iniciativa desenvolvida pela organização Friends International sob o programa intitulado ChildSafe Network, quase 500 pessoas que conduzem esses triciclos chamados 'tuk-tuk' e moto-táxis vigiam os turistas e os locais suspeitos de abrigar alguém na companhia de um menor de idade.

Essas informações são cruciais para que as autoridades possam aprofundar suas investigações e deter o suposto pedófilo.

'Os 'tuk-tuk' estão em todos os lados, veem muitas coisas e não são vistos com desconfiança, ou seja, são os informantes perfeitos' explica à Agência Efe Rithy Nhem, coordenador desta rede.

'Também trabalhamos com funcionários de hotéis e albergues para que nos avisem se virem algum cliente entrando com um menor que não esteja registrado como seu filho', diz este ativista cambojano comprometido com a luta contra a pedofilia.

Nessa rede, que com a passagem do tempo fica cada vez mais ampla, também figuram donos de restaurantes, funcionários de lan houses e de agências de viagem.

A maior parte dos 'espiões' está distribuída por uma zona turística popular situada às margens do rio, onde proliferam os bares e os restaurantes e pela qual vagam os meninos e meninas que oferecem postais e outras lembranças do Camboja.

Seu uniforme, uma camisa azul-claro com o logotipo da rede - uma grande mão branca com o polegar levantado -, já é conhecido nas ruas de Phnom Penh, embora também haja voluntários que prefiram passar despercebidos.

Bun Thoun é um desses 'espiões' que a cada noite percorrem parte da capital cambojana transportando turistas sem perder qualquer detalhe de sua companhia, pela qual geralmente pagam uma soma em dinheiro.

'Tenho que ligar uma ou duas vezes por mês para a ONG e, às vezes, diretamente para a Polícia, se eu notar que o caso é sério', contou o motorista.

No entanto, seu principal objetivo não são os estrangeiros, e sim os cambojanos, entre os quais são maioria aqueles que avaliam a virgindade como uma mercadoria.

'Alguns cambojanos preferem menores de idade por ter a certeza de que são virgens', explica o motorista, ao fim de sua jornada, às 7h.

A identificação dos estrangeiros que abusam de menores de idade costuma ser mais simples, mas a tarefa se complica com os locais, que podem ser meros familiares ou conhecidos das crianças.

'Há formas de reconhecê-los: pela roupa, por exemplo. Mas é difícil vê-los porque sabem bem como se esconder', assinala o motorista.

Já Borin sai com seu 'tuk-tuk' logo cedo, quando a concentração de turistas é maior em museus e palácios, e muitos bares ainda não abriram suas portas.

'Eu nunca vi nada, suponho que seja porque trabalho durante o dia, mas muitos companheiros sim', relata.

Portanto, seu principal papel é o de conscientizar os visitantes.

'Muitas vezes eu tento explicar aos turistas que, se eles virem alguma coisa, também têm de denunciar, mas eles não querem escutar, só têm o interesse de se divertir', assegura Borin, visivelmente contrariado.

Cerca de 30 mil crianças trabalham no mercado do sexo no Camboja, segundo dados do Ministério de Assuntos da Mulher. EFE

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