Inédito novo fato 'Xuxa é um exemplo de superação', diz psicóloga

O depoimento da apresentadora Xuxa Meneghel ao "Fantástico" deste domingo configura um exemplo de coragem e superação na luta contra a exploração sexual na infância e na adolescência. Com 49 anos de idade e 26 de carreira na "TV Globo", foi a primeira vez em que a Rainha dos Baixinhos conseguiu combater os medos da menina assediada até os 13 anos e desfazer as amarras que mantinham sua história aprisionada no passado.



Xuxa declarou que não tinha ideia do que fazer para se livrar dos assédios porque se julgava culpada pelas agressões, sentimento comum à maioria das crianças que sofrem algum tipo de violência doméstica. O SRZD conversou com a psicóloga e gerente de programas sociais da ONG Terra dos Homens, Valéria Brahim, que alertou sobre duas possíveis reações desencadeadas na fase adulta por quem já teve a sexualidade violada: "Não temos como dizer que a violação sexual vai gerar algum sintoma determinado, porque cada pessoa reage de uma forma. Algumas pessoas vão se tornar resilientes e gerar um mecanismo de defesa para lutar em favor de outras crianças, como fez a Xuxa. Outras podem ter incapacidade de confiar no próximo e ainda se tornar adultos inseguros", explicou a especialista.

A melhor medida para evitar a ocorrência de atos de violência sexual na família ou na escola é a prevenção. Criar um diálogo aberto sobre sexualidade desde cedo é um meio de estabelecer uma relação de confiança e abrir caminhos para que o filho fale tudo o que acontece no dia-a-dia . "Os pais devem sempre alertar que o corpo pertence somente à criança e que ela deve ter cuidado para não se deixar ser manipulada por um amiguinho ou um adulto. Se, por acaso, isso acontecer, ela terá liberdade de contar a verdade".

A psicóloga indica ainda que os pais devem conduzir a conversa de acordo com a faixa etária. O avanço no tema será amadurecido na proporção do crescimento do filho. "É claro que, quando a criança tem dois ou três anos, a linguagem deve ser peculiar a essa idade. O mais importante é deixá-la ciente de que ela não pode deixar ninguém lhe machucar e que tem o direito de dizer não".

Maioria dos casos envolve familiares

Em grande parte das ocorrências a agressão é cometida pelos próprios pais. Nesses casos, cabe aos familiares mais próximos ficarem atentos às mudanças comportamentais dos pequenos. Um levantamento feito pelo Disk Denúncia do Rio entre janeiro e maio deste ano apontou que 17.442 denúncias citaram crimes contra crianças e adolescentes. Desse total, 2.495 relataram violência sexual. A prostituição infantil representou quase metade dos casos (1.068) e, em 35% deles, pais e mães foram identificados como os autores dos crimes.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determina que apenas a suspeita de abuso já deve ser comunicada ao Conselho Tutelar. Portanto, mesmo sem reunir provas, qualquer um pode fazer uma denúncia ao Disque 100, que se responsabilizará por apurar os fatos e conduzir a criança ao acompanhamento profissional adequado. "O Disque 100 permite que a pessoa acompanhe o andamento do caso e não é preciso se identificar", finalizou a especialista.

Leia também:

- Xuxa proíbe 'Record' de usar fotos da 'Playboy' e processa Gugu

0 Comments:

Postar um comentário

Para o Portal Todos Contra a Pedofilia MT não sair do ar, ativista conclama a classe política de MT
Falta de Parceiros:Falsos militantes contra abuso sexual e pedofilia sumiram, diz Ativista
contato: movimentocontrapedofiliamt@gmail.com