Xuxa fez do depoimento ao quadro “O que vi da vida”, do programa Fantástico, um desabafo. Ela contou que, do primeiro abuso, não se lembra. Mas logo recorda que eles voltaram a ocorrer e que tinham “cheiro de álcool”. “Eu tinha vergonha, me calava, me sentia mal, me sentia suja, me sentia errada [...] Se não tivesse sido o amor da minha mãe, eu teria ido embora”, confessou.
A apresentadora, cantora e atriz, diferente do que muitas meninas fazem, não saiu de casa e, como todos sabem, alguns anos mais tarde, revolucionou, não apenas sua vida, mas de toda a sua família, com uma carreira na TV e na música que já lhe rendeu centenas de prêmios. Transformou o triste acontecimento em uma luta pessoal e, por meio de seu codinome, a “Rainha dos Baixinhos” luta até hoje pelo fim da exploração sexual. “Tenho o sonho de que, um dia, nenhuma criança seja vítima de abuso”, declarou.
Diante de lágrimas, o país via a apresentadora, sempre alegre, como jamais assistiu – vulnerável. As lágrimas acompanharam as declarações, e, além de falar pela primeira vez sobre os abusos, Xuxa também confessou que Airton Senna foi o homem de sua vida, que o namoro com Pelé jamais foi por interesse, e que Michael Jackson lhe fez uma proposta especial: casar-se e ter filhos com ela.
A revelação de Xuxa explica seu engajamento em causas que envolvem o abuso contra menores e a Lei da Palmada. Surge em um momento crucial para o debate do tema no país, pois apenas nos primeiros quatro meses deste ano, as denúncias de abusos contra menores aumentaram 71% em todo o Brasil, se comparadas ao último ano.
A sanção da Lei Joanna Maranhão, que amplia o prazo para prescrição de crimes sexuais contra crianças, vai em direção contrária e promete ser um avanço já que, de acordo com essa lei, a contagem para a prescrição desse tipo de crime vai começar quando a vítima fizer 18 anos, e não depois que o crime ocorrer, como funcionava anteriormente.
De acordo com o Código Penal, a pena máxima para abuso de menores é de 12 anos. O crime prescreve após 16 anos, ou seja, ainda que fossem localizadas, as pessoas que abusaram de Xuxa não seriam punidas. Se estas, por sua vez, se livraram da Justiça, milhares de outros acusados por crimes contra menores estão à solta, muito mais próximos do que se imagina.
Normalmente, os agressores são pessoas acima de qualquer suspeita, e despertam confiança na família. Exatamente por isso, as crianças têm medo de denunciar e expor o problema a seus pais, situação vivenciada por Xuxa. “Eu não falei para a minha mãe, eu não tinha coragem. A maioria das crianças não fala”, afirmou a apresentadora, um retrato do medo que cerca esse tipo de abuso.
Como o assunto violência sexual permanece como um tabu nos lares brasileiros, a ministra Maria do Rosário, dos Direitos Humanos, celebrou a atitude da apresentadora, classificando-a como corajosa: “Poderia ter denunciado antes para que houvesse punição, mas a atitude é louvável. Ajuda a alertar pais e crianças a denunciar abusos”. Assim como ela, o promotor de infância e juventude Thales de Oliveira faz coro para que, assim como no drama pessoal de Xuxa, outros menores também denunciem se acontecer o mesmo com eles. “As pessoas pensarão: Se aconteceu com Xuxa, a “Rainha dos Baixinhos”, pode acontecer comigo também. E se ela tomou coragem, eu vou falar também”, alegou o promotor.
O maior objetivo, então, é combater o que os especialistas chamam de “síndrome do silêncio”. Outro problema frequente é que o menor se sente culpado pelo que aconteceu. No programa, Xuxa revelou que viveu a mesma angústia na época, achando-se responsável pelos crimes, por ser “alta” e “chamar atenção”. A organização Childhood Brasil ensina o que fazer, caso isso ocorra: “Livre a criança de qualquer sentimento de culpa. Afirme que ela não é responsável por aquilo que ocorreu e continue a lhe dizer isso sempre que necessário”.
A Childhood, que luta pela proteção da infância há 13 anos, exemplifica alguns sinais para os pais perceberem se uma criança está sendo vítima de abuso: “A criança sempre mostra, de algum modo, que passa por uma situação de abuso sexual, seja revelando-a claramente, seja por meio de sinais: desenhos, utilização de um linguajar sexualizado impróprio para sua idade, pesadelos e medos incomuns, sintomas físicos ou forte resistência para ver determinadas pessoas”.
A Childhood, que luta pela proteção da infância há 13 anos, exemplifica alguns sinais para os pais perceberem se uma criança está sendo vítima de abuso: “A criança sempre mostra, de algum modo, que passa por uma situação de abuso sexual, seja revelando-a claramente, seja por meio de sinais: desenhos, utilização de um linguajar sexualizado impróprio para sua idade, pesadelos e medos incomuns, sintomas físicos ou forte resistência para ver determinadas pessoas”.
Quem espera que a repercussão desta revelação estimule Xuxa a falar mais sobre o abuso que sofreu, engana-se. A apresentadora afirmou, em sua página pessoal no Facebook, que não vai mais falar no assunto. Em letras garrafais, para não deixar dúvidas. Mas agradeceu o apoio dos fãs, declarando ser muito importante a opinião deles. “Espero que vocês entendam e aceitem minha decisão. Eu não quero mais falar. Eu queria ajudar crianças que passam ou passaram pelo que eu passei, que elas falem, denunciem, não fiquem se sentindo culpadas”. Xuxa encerrou a postagem fazendo um apelo: “Mães, ouçam seus filhos e acreditem em tudo o que eles falam, prestem atenção se eles mudarem em alguma coisa”!






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