Assassina era exímia atiradora e tinha os conhecimentos de anatomia para realizar um esquartejamento perfeito

Vestígios comprovam que Elize Matsunaga matou e esquartejou o marido
Após a prisão por suspeita de assassinato seguida de confissão, a bacharel em direito e técnica em enfermagem Elize Matsunaga, 38 anos, voltou, na madrugada de ontem, ao local do crime. Para a equipe de peritos, Elize reconstituiu todos os passos que envolveram o homicídio de seu marido, o diretor executivo da empresa alimentícia Yoki, Marcos Kitano Matsunaga, 42. Ocorrida no apartamento triplex do casal, em 19 de maio, a morte foi detalhada por três horas e meia pela mulher, que está presa desde o último dia 4 e teve a prisão temporária prorrogada por mais 15 dias pela Justiça de Cotia. Elize revelou os locais onde alvejou o marido, arrastou-o e esquartejou-o. Em todos os cômodos mostrados por ela, foram encontrados vestígios de sangue humano. Elize e Marcos se casaram há dois anos e têm uma filha de um ano, que dormia no apartamento no momento do crime, ocorrido na Vila Leopoldina, na Zona Oeste de São Paulo.

Os peritos já haviam iniciado a reconstituição na última segunda-feira, quando utilizaram o reagente químico luminol para procurar manchas de sangue. Com a presença de Elize, o trajeto das ações foi confirmado: “Todos os locais estavam coerentes com os vestígios encontrados. Ela atirou nele na sala e depois o arrastou até um quarto de hóspede, uma distância de 15m. O luminol indicou por onde ele foi arrastado e depois onde ela o esquartejou, no banheiro da empregada. A versão foi comprovada com reagentes. Agora o exame de DNA deverá comprovar que é o sangue do Marcos. Com a simulação, temos a comprovação de toda a dinâmica”, afirmou o perito criminal Ricardo da Silva Salada.

Polícia indica que a própria esposa matou o diretor-executivo da Yoki
A polícia afirmou nessa terça-feira (5/6) que há fortes indícios de que a bacharel em direito Elize Araújo Kitano Matsunaga, de 38 anos, matou e esquartejou o marido, o empresário Marcos Kitano Matsunaga, de 42, por ciúme. Ela está presa provisoriamente desde segunda-feira (4/6). A vítima era diretor-executivo da Yoki. A polícia investiga também se outra pessoa teria participado de alguma forma do crime. O corpo de Matsunaga foi enterrado nessa terça no Cemitério São Paulo, na Zona Oeste da capital paulista.

Segundo o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Elize doou à Guarda Civil Metropolitana, depois do crime, uma pistola 765 de mesmo calibre da que foi usada para matar o empresário. Segundo a polícia, ela é exímia atiradora, assim como o marido, que foi morto com um tiro à queima-roupa no lado esquerdo da cabeça. Ela é destra. Ele era colecionador de armas. Exames de balística vão dizer se o projétil encontrado no crânio foi disparado pela arma doada por Elize.

Câmeras mostraram Matsunaga entrando no prédio em que eles moravam, com a mulher, a babá e a filha, de 1 ano, às 18h30 de 19 de maio, vindos do aeroporto, segundo a polícia. Ele desceu uma hora depois para buscar uma pizza e voltou ao apartamento. Depois disso, não saiu mais com vida. No dia seguinte, depois de dar folga à baba no período noturno, Elize deixou o prédio pelo elevador de serviço, às 11h30, carregando três malas. Retornou às 23h50, já sem as malas. À polícia, ela disse informalmente que pretendia viajar para o Paraná, onde nasceu, mas desistiu no meio do caminho. Elize ainda não prestou depoimento formal, mas, segundo a polícia, demonstrou tranquilidade. Além de direito, ela cursou enfermagem. Os sacos plásticos que embalavam os pedaços do corpo do empresário são importados, com um filete vermelho, do mesmo tipo dos que foram encontrados no apartamento do casal. As imagens mostram que o empresário foi visto pela última vez com uma camisa marrom, aparentemente a mesma que vestia parte do corpo encontrado na Estrada dos Pires, em Cotia (SP).

Segundo a polícia, a cobertura onde o casal vivia tinha mais geladeiras do que se costuma encontrar em residências comuns. Havia inclusive câmeras frias. Peritos aplicaram luminol – produto que identifica manchas de sangue invisíveis a olho nu –, mas ainda não encontraram nada. Uma nova perícia será feita nesta quarta-feira (6/6) no local. A polícia aponta para a possibilidade de crime passional. “Há indícios de traição baseados em fatos”, disse Mauro Dias, delegado responsável.

Segundo Dias, por enquanto, está descartada qualquer relação entre a morte do empresário e sua participação na Yoki, que foi vendida enquanto ele estava desaparecido para o grupo americano General Mills, por R$ 1,95 bilhão. O empresário deixou um seguro de vida de R$ 600 mil, que tinha a mulher como uma das beneficiárias. Elize e Matsunaga eram casados havia dois anos e tinham uma filha. Foi o segundo casamento dele, que tinha outra filha do relacionamento anterior.

SEM SEGURANÇAS
Segundo o diretor do DHPP, Jorge Carrasco, os indícios apontam que o empresário foi morto com requintes de crueldade. Ele disse também que o casal não tinha seguranças. “Temos um histórico geral da situação conjugal e estamos checando cada episódio (da vida dos dois)”. O casal vivia em uma cobertura formada por dois apartamentos que, juntos, tinham mais de 500 metros quadrados, na Rua Carlos Weber, Vila Leopoldina, Zona Oeste de São Paulo. Vizinhos comentavam há dias sobre o desaparecimento, mas não suspeitavam da mulher do empresário. Pensavam que ele tinha sido sequestrado.

A investidora Verônica Castro, de 40, estudou com Matsunaga no Colégio Rainha da Paz, na adolescência. Ela não sabia que ambos moravam no mesmo prédio, até ver as notícias da morte do colega. “Ele era o ‘CDF’ da classe. Uma pessoa excelente. Nunca o vi brigar com ninguém”, disse.

Fonte: Estado de Minas

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