CPI da Exploração Sexual ouve relato de religiosa sobre crimes nos estados do Pará e Amapá

Comissão realizará diligências em Fortaleza (CE) nos próximos dias 9 e 10 para apurar denúncias
Crédito : Divulgação
A coordenadora da Comissão Justiça e Paz (CJP) do Regional Norte 2 (estados do Amapá e Pará) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), irmã Henriqueta Cavalcante, participou, nesta terça-feira (26), de audiência pública promovida pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A religiosa denunciou um representante do Conselho de Direitos do município de Breu Branco, no Pará, por explorar sexualmente uma criança e prometeu encaminhar um vídeo que flagra o ato à CPI da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

Em seu depoimento, irmã Henriqueta informou que existe forte ligação entre os casos de exploração sexual e tráfico de pessoas. “Existe uma interligação muito forte entre exploração sexual, tráfico de pessoas, tráfico de drogas e trabalho escravo”, disse a irmã, que vive sob escolta policial após sofrer ameaças de morte devido às denúncias apresentadas. “As redes de exploração e tráfico são poderosas e, muitas vezes, têm respaldos de diversas autoridades, pessoas poderosas”, alertou.
Segundo ela, a ausência de políticas públicas, oportunidades de trabalho, a desigualdade social e a pobreza fazem com que as pessoas se submetam ao trabalho escravo e à exploração sexual pela promessa de uma vida melhor.
Para a presidenta da CPI, deputada federal Erika Kokay (PT-DF), “a exploração sexual de crianças e adolescentes, por via de regra, é sintoma de outras formas de exploração”. De acordo com a parlamentar, “todas elas tiram a condição de sujeito da criança, fazendo com que (se) retire, também, a condição humana”.
Durante a audiência pública, Erika Kokay afirmou que quem sofre esse tipo de crime, geralmente, são crianças e adolescentes de baixa renda, “que são garfados e capturados pela exploração sexual”.
Ilha de Marajó é rota de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes no Pará
Irmã Henriqueta destacou a região da Ilha de Marajó (PA), que é composta por 16 municípios, como a principal rota de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes no estado. Ela também falou sobre o aumento do número de casas de prostituição em Altamira, também situada no estado paraense, onde estão sendo realizadas as obras de construção da usina hidrelétrica de Belo Monte.
“A população precisa denunciar e dar voz às crianças e aos adolescentes. Temos que acabar com a ideia de naturalização (desta prática), de tolerância. As próprias vítimas, na maioria dos casos, se sentem culpadas, fazendo com que os criminosos não sejam punidos”, afirmou.
De acordo com a coordenadora do CJP, a região de fronteira também está entre os principais destinos de tráfico de crianças e adolescentes para exploração sexual. O Suriname e a Guiana Francesa são os mais escolhidos.
Nos dias 9 e 10 de julho, a CPI da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes realizará diligências na cidade de Fortaleza (CE) para apurar denúncias, informou a presidenta da Comissão, deputada Erika Kokay.
Raquel Coelho
Assessoria de Imprensa

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