RIO - Uma investigação divulgada nesta segunda-feira levanta suspeitas sobre o acobertamento de 65 casos de abuso sexual envolvendo jovens e líderes do grupo escoteiro canadense Scouts Canadá. A instituição é acusada de não ter reportado os incidentes à polícia. O relatório foi feito a pedido da própria Scouts Canadá, após reportagem publicada pela rede CBC News, da California, em dezembro do ano passado. Segundo a matéria, a instituição teria feito acordos confidenciais com dezenas de vítimas em troca de silêncio. A investigação ficou a cargo da KPMG, empresa especializada em serviços de auditoria.
Treze dos 65 casos ocorreram após 1992, ano em que a organização tornou obrigatória a denuncia à polícia de qualquer suspeita de abuso sexual envolvendo seus integrantes. Para o presidente da Scouts Canada, Steve Kent, a investigação da KPMG não encontrou provas claras de que a instituição tenha propositalmente escondido os casos de abuso. No entanto, Kent reconheceu que as denúncias não foram apuradas com o rigor necessário.
Segundo a KPMG, os arquivos da Scouts Canadá estavam desorganizados e em más condições. Para a empresa, isso é sinal de que a organização não prestou a devida atenção às denúncias feitas ao longo dos anos. Entrevistado pela CBC News, o advogado Rob Talach, que representa vítimas de violência sexual, afirmou que a simples revisão dos arquivos da Scouts Canada não é suficiente para inocentar a instituição. A única forma de saber se houve proposital acobertamento, segundo Talach, seria consultar os envolvidos. Mesmo assim, o advogado acredita que o alto número de casos sugere que houve uma cultura de "não denúncia" à polícia ao longo dos anos.
A Scouts Canadá foi fundada em 1905. No ano de 2011, o grupo escoteiro contava com mais de 165 mil integrantes, entre jovens, líderes e voluntários. Ao longo dos 107 anos de história, cerca de 17 milhões de crianças já passaram pela instituição.






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