A Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de Mato Grosso condenou, em decisão unânime, o deputado estadual José Geraldo Riva (PR) ao afastamento das funções administrativas e financeiras de seu cargo de presidente da Assembléia Legislativa. Ele tambem deve ressarcir aos cofres públicos a quantia R$ 1.199.458,98, solidariamente com o conselheiro Humberto Bosaipo, do Tribunal de Contas, que está afastado do cargo por decisão do Superior Tribunal de Justiça. Ambos são acusados de criarem empresas fantasmas para desviar dinheiro dos cofres do Legisaltivo.
A sessão de julgamento da Quarta Cível teve início às 14h no Plenário 3 do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. O desembargador Guiomar Teodoro Borges declarou-se impedido de participar do julgamento em decorrência de ter sido um dos procuradores à época em que o Ministério Público solicitou investigações referentes ao caso. Na sequência, foi convocado a atuar no processo o desembargador Marcos Machado.
A defesa do conselheiro Humberto Bosaipo, ex-deputado estadual de Mato Grosso, e do deputado José Riva se pronunciou utilizando o período regimental e os advogados alegaram cerceamento de defesa, solicitaram a anulação da decisão de Primeira Instância em que Riva e Bosaipo haviam sido condenados e que os autos fossem remetidos diretamente ao TJMT ou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Em seguida o procurador de Justiça Paulo Ferreira Rocha afirmou que as irresignações da defesa não seriam procedentes, tendo em vista que o magistrado segue o Princípio do Livre Convencimento. Com relação ao alegado cerceamento de defesa, salientou que até a atual fase do processo não foram apresentadas provas de que os réus não tinham cometido os delitos, sendo que, para ele, estava muito claro que houve o saque dos valores com autorização dos gestores públicos, acompanhados de outros servidores que teriam participado do esquema montado para facilitar o desvio de verba pública.
Três das quatro preliminares foram negadas por unanimidade. No mérito, os julgadores consideraram os acusados José Geraldo Riva, Humberto Bosaipo, Guilherme da Costa Garcia, então secretário de Finanças da Assembleia Legislativa, e os servidores Luiz Henrique de Godói, Geraldo Lauro e Nivaldo de Araújo, além do contador José Pereira, que criou a empresa Hermes Patrick Bergamasch para receber os valores da Assembleia Legislativa, culpados pelo desvio do valor supracitado, mediante a criação de empresa fantasma que tinha registro apenas na Junta Comercial do Estado de Mato Grosso (Jucemat).
O desembargador Luiz Carlos da Costa destacou ainda em seu voto que não houve sequer licitação para a contratação dos serviços a serem prestados pela referida empresa. “Bastava a simples indicação no Diário Oficial do Estado e Federal ou de jornais de grande circulação de que teria havido a divulgação para o certame licitatório na Modalidade Concorrência, mas nem isso foi feito. Foi uma operação planejada para sacar dinheiro dos cofres públicos. Crime praticado com auxílio de outros servidores e contadores, onde o dolo ficou patente”, declarou o magistrado.
Conforme a denúncia, a empresa Hermes Patrick Bergamasch foi criada para prestar serviços fictícios à Assembleia Legislativa de Mato Grosso. A denúncia apurou que 21 cheques foram depositados e sacados na boca do caixa com autorização dos acusados e pelo menos dois deles foram trocados na Confiança Factoring, cujo proprietário é o bicheiro João Arcanjo Ribeiro, em operação que é proibida.






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