Ela mora sozinha no segundo andar de um prédio em Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Caminha com dificuldade, por causa do reumatismo e da artrite. Mas encontrou forças para se defender de um homem que invadiu o seu quarto na tarde de sábado (9). Ela havia acabado de despertar de um cochilo.
Ela achou melhor se proteger. “Eu vim aqui e disse assim: ‘será que eu encontro ainda o meu revólver?’”.
Quando a polícia chegou, encontrou o ladrão caído no chão. Marcio Nadal Machado, conhecido como Cachorrão, tinha 32 anos. Estava em liberdade provisória havia um mês. Já tinha sido preso por roubo, furto e tráfico de drogas.
“Nunca tinha usado um revólver na vida. A arma estava guardada. Depois que eu atirei, eu senti dor no meu dedo. Estava muito mais grosso do que agora”, diz Dona Odete.
Para os advogados ouvidos pelo Fantástico, este é um caso de legítima defesa. “Ela usou os meios que ela tinha no momento: uma arma. E ela atirou até que ela conseguisse perceber que aquela pessoa que estava dentro da casa dela não punha mais em risco a vida dela”, avalia o advogado criminal Carlos Kauffmann.
Dona Odete deu três tiros. Será que a Justiça pode considerar essa reação exagerada? “Eu posso dar três, quatro, cinco ou dez tiros em uma pessoa dentro da legítima defesa. O excesso é tudo aquilo que se pratica quando a violência já tinha sido afastada”, explica o advogado criminal Maurício Zanoide de Moraes.
Ou seja, pela lei, a vítima pode continuar reagindo enquanto se sentir ameaçada.
Em outro caso que aconteceu nesta semana, em Fortaleza, Aurino Amaro Albuquerque, de 73 anos, não pensou duas vezes quando um homem de moto anunciou o assalto na porta de uma academia. O aposentado, que estava com a filha, atacou o ladrão com a muleta, para defender a moça. Deu vários golpes. “Eu já tinha dado o primeiro, aí não teve mais como parar. Só parei quando ele foi embora”, conta.
Mas, para a polícia, o melhor mesmo é não reagir. O delegado Joigler Paduano, que investiga o que aconteceu com Dona Odete, diz que ela correu riscos: “Se o ladrão estivesse acompanhado de outra pessoa, talvez o desfecho não fosse esse”, alerta.
Ele ainda não sabe se vai indiciá-la por homicídio, mas disse que Dona Odete pode responder por não ter registro do revólver: “Todas as pessoas que detêm uma arma de fogo na sua residência de maneira irregular respondem pelo delito de posse ilegal de arma de fogo, não importa a idade da pessoa”, avisa.
Quando receber o inquérito, a promotora Silvia Becker Pinto pretende arquivar o caso. “A minha postura é de senso comum, como a imensa maioria dos cidadãos brasileiros, que analisando o caso, diante das circunstâncias postas na imprensa, entendem que ali está escancarado um caso de legítima defesa”, afirma.
“Eu vi que era melhor ter feito isso, que era mais preciso a minha vida do que a dele. Não me arrependi do que aconteceu, mas eu não queria ter feito”, diz Dona Odete. Informações do Fantástico.






0 Comments:
Postar um comentário
Para o Portal Todos Contra a Pedofilia MT não sair do ar, ativista conclama a classe política de MT
Falta de Parceiros:Falsos militantes contra abuso sexual e pedofilia sumiram, diz Ativista
contato: movimentocontrapedofiliamt@gmail.com