A condenação de Riva e Bosaipo – O silêncio dos caititus


Uma das maiores vergonhas do parlamento mato-grossense é o silêncio dos caititus. Vamos lembrar que caititu é como um deputado definiu a si e a seus colegas, por seguirem cegamente o mesmo chefe. E a vara de caititus não é pequena. Sem contar o primeiro mandato de Riva (1995/1998), com a atual são quatro legislaturas caladas em relação às denúncias de corrupção contra Riva e Bosaipo.

Nestes anos todos, fora Otaviano Pivetta e Luciene Bezerra, todos os demais abaixaram a cabeça e disseram “sim sinhô” ao Zé Riva. Porém, nem mesmo estes dois ousaram entrar com um pedido de sindicância, investigação, CPI ou informações sobre as denúncias.

A recente “rebeldia” de Emanuel Pinheiro pareceu uma armação calculada com fim específico.

Tampouco os deputados do PT, partido metido a moralista (no passado), disseram um “a” sobre a roubalheira denunciada. Lembram-se de Vera Araújo? Pois é, um dia lá por 2003, ela foi à Tribuna tentar tomar posição sobre o  “escândalo das calcinhas” e todos os demais que começaram a ser divulgados. Bosaipo, alterado (aparentemente bêbado) tomou a palavra e deu de dedo na Verinha que fugiu do plenário em desabalada carreira. Comentou-se na época que Riva tinha dado polpuda contribuição à sua campanha.

Já Alexandre César foi a maior decepção. Em 2002 quando decidimos começar um movimento de combate à corrupção, que mais tarde se transformaria na Ong Moral, éramos cinco pessoas. Um delas era o futuro deputado Xandinho, que naquele dia fora o nosso porta-voz numa cerimônia com a presença do Procurador Geral da República Geraldo Brindeiro (conhecido como engavetador do FHC). Entre aliado de Blairo e Silval, e depois deputado suplente, esse político se tornou um reles Rivaboy.

O Brunetto, por sua vez, já no primeiro mandato ocupou na Mesa o ‘importante’ cargo de 4º secretário. Logo, não se precisa dizer mais nada para vermos que se trata de outro Rivaboy.

Devemos dizer ainda que todos os que dividiram o comando da Mesa com ele, são suspeitos que deveriam ter investigadas as suas gestões: Silval, Sérgio Ricardo, Romulado Júnior, Malheiros, etc.

Responda rápido: Os caititus foram sempre coniventes com Riva por acharem que ele era inocente, ou porque ele molhava as mãos deles?

E os federais

Qual é o título que se pode dar aos parlamentares federais que durante todos os anos JAMAIS fizeram um pronunciamento para denunciar a corrupção na Assembleia?

A começar pela senadora Serys, que depois de voar nos aviões do Riva na campanha de 2002, se calou para sempre. Dos demais da linha conservadora, devo citar o Antero, que em seus 8 anos de senado, foi um tucano de bico fechado. Grasnava contra o governo Lula, mas se calava ante as estripulias do Baixinho.

Dos recentes, vale citar o mutismo conveniente do deputado Valtenir, que ultimamente já está desfilando como Rivaboy, e o senador Taques que grita contra a corrupção federal, mas nunca disse nada sobre aquilo que ele chamava de “braço político do crime organizado”. Dizem que um  patrocinador de sua campanha determina a blindagem do Baixinho.

E assim se movem, de quatro patas, os nossos parlamentares.

Ademar Adams - Jornalista – Cuiabá-MT