A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (6) uma operação para investigar suspeitas de desvio de recursos públicos envolvendo fundos ligados ao Banco Master e um acordo milionário firmado pelo governo de Mato Grosso com a empresa Oi.
Batizada de Operação Heritage, a ação cumpre 25 mandados de busca e apreensão autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e tem entre os alvos o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) e o desembargador Ricardo Gomes de Almeida, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
A investigação apura uma possível estrutura financeira criada após um acordo firmado em 2024 entre o governo estadual e a Oi, no valor de R$ 308,1 milhões, referente a restituições tributárias reivindicadas pela companhia na Justiça desde 2009.
Segundo a Polícia Federal, os valores teriam passado por uma sequência de operações financeiras envolvendo fundos administrados pelo Banco Master, em uma espécie de cadeia de investimentos que teria dificultado a identificação dos beneficiários finais dos recursos.
A decisão que autorizou a operação foi assinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino (STF), após representações apresentadas pelo ex-governador Pedro Taques (PSB), adversário político de Mauro Mendes na disputa pelo Senado nas eleições deste ano. O conteúdo da decisão permanece sob sigilo.
De acordo com a investigação, os recursos recebidos no acordo com a Oi foram convertidos em direitos creditórios, modalidade de ativo financeiro que representa valores a serem recebidos futuramente. O montante teria sido distribuído entre dois fundos, Royal Capital e Lotte Word, ambos administrados e custodiados pelo Banco Master.
A apuração aponta que, posteriormente, o fundo Lotte Word teria realizado investimentos em outras estruturas financeiras, entre elas os fundos Golden Bird e Coliseu. A suspeita dos investigadores é que parte dos recursos tenha alcançado empresas ligadas a pessoas próximas ao ex-governador Mauro Mendes.
Entre os citados na investigação estão Luis Antonio Mendes, filho do ex-governador, além de Fábio Garcia, ex-chefe da Casa Civil de Mato Grosso, e Fernando Robério Garcia, pai do ex-secretário.
O acordo envolvendo a Oi teve participação do advogado Ricardo Gomes de Almeida, que também aparece como alvo da operação. Almeida posteriormente foi escolhido para uma vaga de desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso em 2025, por indicação do então governador Mauro Mendes.
Mauro Mendes deixou o comando do governo estadual para disputar uma vaga no Senado nas eleições deste ano. Até o momento, o ex-governador ainda não havia divulgado manifestação sobre a operação. A defesa do desembargador também não havia se pronunciado.
A Oi e o Banco Master informaram que não comentariam a operação até a publicação da reportagem.






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