Depois de mais de dois meses de isolamento e anonimato, a camareira de hotel que acusou Dominique Strauss-Kahn de agredi-la sexualmente está contando sua história e esperando marcar pontos no tribunal da opinião pública.
Mas especialistas legais dizem que conversar com a mídia neste ponto é uma tática arriscada que pode enfraquecer os argumentos da promotoria contra Strauss-Kahn e reduzir as chances da mulher de ganhar uma ação cível que, segundo seus advogados, ela pretende mover em breve.
"Acho que a decisão de vir a público é uma jogada desesperada para tentar pressionar a acusação a não desistir de levar o caso a julgamento", disse Alan Dershowitz, um conhecido advogado de defesa em processos criminais.
Dershowitz disse que, embora a iniciativa possa acabar tendo êxito, "é uma tática de alto risco, obviamente idealizada pelo advogado dela, que pode estar enxergando um pote de ouro no fim do arco-íris".
Originalmente descrita como uma vítima que apresentou uma versão coerente e constante, Nafissatou Diallo teve sua credibilidade questionada seriamente depois de promotores terem alegado que ela mentiu em seu pedido de asilo nos EUA e que deu versões divergentes sobre seus atos após o incidente de 14 de maio no hotel Sofitel, em Manhattan.
Kenneth Thompson, um dos advogados de Diallo, insiste que o objetivo da ofensiva na mídia é combater o retrato negativo e inexato que vem sendo pintado dela na mídia.
"Diallo veio a público para limpar seu nome", disse ele. "Ela não é prostituta nem é uma trapaceira interessada em extorquir dinheiro de DSK. Ela é a vítima de uma agressão sexual brutal."
Em entrevista à Newsweek - parte de uma blitz de mídia bem orquestrada lançada uma semana depois da próxima audiência de Strauss-Kahn no tribunal - Diallo, 32 anos, disse, aludindo a Strauss-Kahn: "Quero que ele vá para a cadeia. Quero que ele saiba que existem alguns lugares onde não é possível usar seu poder e seu dinheiro."
Diallo, que também deu uma entrevista à rede de TV ABC, descreveu em detalhes explícitos como o ex-chefe do Fundo Monetário Internacional a forçou a fazer sexo oral nele na suíte que ele ocupava no elegante hotel Sofitel, em Manhattan.
Strauss-Kahn nega as acusações com veemência.
O advogado de defesa Daniel Petrocelli disse que, sejam quais forem os motivos que a levaram a vir a público, isso não ajudará Diallo.
O advogado, que moveu uma ação cível contra O.J. Simpson depois de este ser absolvido da acusação de homicídio, disse que Diallo corre o risco de ser acusada de tentar capitalizar financeiramente sobre o caso.
Os advogados de Strauss-Kahn, William Taylor e Benjamin Brafman, já criticaram a decisão de Diallo de falar à mídia, dizendo em comunicado que ela é "a primeira acusadora na história a conduzir uma campanha de mídia para persuadir um promotor a levar adiante uma ação criminal contra uma pessoa de quem ela quer dinheiro".
Esses argumentos serão usados para minar a credibilidade de Diallo em uma ação cível, disse Petrocelli. "Acho que é provável que ela atraia críticas substanciais que não precisaria ter atraído."
(Reportagem de Noeleen Walder)






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