José Rabelo
Foto capa: Gustavo Louzada
Há cerca de 10 dias, chegou ao conhecimento do Ministério Público Estadual (MPES) mais uma denúncia que acusa o deputado estadual Gildevan Fernandes (PV) de abuso sexual. De acordo com a mãe da vítima, que prefere não se identificar, o deputado teria tentado “agarrar” sua filha dentro da casa da família. A tentativa de abuso teria ocorrido há cerca de dois anos, no município de Pinheiros, quando a adolescente tinha apenas 14 anos.
No último dia 17 de maio, os pais da jovem prestaram depoimento como testemunhas no caso da funcionária pública Débora Cardoso Silva, que foi a primeira vítima a denunciar o deputado por abuso sexual, ainda em 2011. O caso, no MPES, está sendo conduzido pelo procurador de Justiça Josemar Moreira, que ouviu os pais da adolescente.
Segundo a mãe da adolescente, Gildevan, em 2010, na época em que estava em campanha para deputado estadual, teria ido à casa da família pedir votos. “Ele comentou que precisava levar uma senhora ao presídio, Nova Venécia, mas que estava se sentido mal, com uma indigestão. Meu marido, prontamente, se ofereceu para fazer a viagem, com a condição de Gildevan pôr gasolina no carro”, recorda.
Ela disse que, logo após a saída do marido, Gildevan pediu um chá para o estômago. “Minha filha estava estudando no quarto. Pedi para que ela pegasse a erva no quintal. Ele então insistiu que eu mesma fosse apanhar a erva. Neste momento, quando ele viu minha filha de shorts endoidou. Ficou transtornado. Parecia outra pessoa. Ele simplesmente ignorou minha presença e começou a agarrar a minha filha, que ficou muito desesperada. Precisei empurrá-lo para que ele soltasse a menina. Gritei para a minha outra filha, mais nova, e meu filho, e abandonamos a casa. Ele ficou lá mais alguns minutos e logo depois, da casa da minha madrasta, vi o Gildevan entrando no carro”, relatou a mãe da vítima.
Ela disse que o procurador questionou o casal sobre a demora para denunciar o caso. “Ele chegou a perguntar se a denúncia estava sendo feita agora porque estamos em ano eleitoral”. A mãe da adolescente, explicou, porém, que na época dos fatos chegou a enviar uma carta por e-mail ao senador Magno Malta (PR). “Como se tratava de um caso de pedofilia e o senador estava com a CPI da Pedofilia no auge, decidimos apelar para ele, mas não deu em nada. Ele nunca respondeu nossa carta”, lamentou.
Além da dificuldade para lidar com um assunto tão delicado numa cidade pequena, a mãe da adolescente afirmou que a família também pensou duas vezes antes de levar o caso à polícia. “O irmão do deputado é escrivão de polícia. Imagina o constrangimento que seria para nós fazer um boletim de ocorrência contra o irmão dele”, questionou.
A mãe da jovem acrescentou que só se encorajou a denunciar o abuso após tomar conhecimento do caso da servidora Débora Cardoso Silva, que decidiu assumir publicamente as acusações contra o deputado. “Não conhecia a Débora pessoalmente,mas depois que ela denunciou o deputado, criei coragem para denunciar também. Ele não pode ficar impune. Pensei, ou a gente denuncia ou fica conivente com a situação”.
Além do caso da servidora e da adolescente, o Ministério Público já recebeu mais duas outras denúncias de abuso sexual cometidos pelo deputado em Pinheiros. Uma das vítimas, inclusive, seria parente do deputado. As duas mulheres estão sob proteção policial.
CPMI
No último dia 11, durante audiência pública da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Violência Contra a Mulher, na Assembleia Legislativa, a deputada estadual Jô Moraes (PCdoB-MG) e senadora Ana Rita (PT), respectivamente, presidente e relatora da CPMI, informaram que a denúncia da servidora Débora Cardoso foi colhida pela Comissão.
Durante a audiência pública, a representante do Fórum Estadual de Mulheres, Edna Martins, denunciou o caso de abuso sexual relatado por Débora. A senadora Ana Rita avisou que irá cobrar informações sobre o caso no MPES, e também vai exigir da Assembleia uma investigação rápida sobre a denúncia, classificada por ela como muito grave. A senadora disse ainda que a CPMI vai cobrar agilidade das demais autoridades do governo estadual e do Tribunal de Justiça do Estado (TJES) sobre a denúncia envolvendo a servidora municipal.
Caso Débora
A funcionária pública contou na denúncia que, quando voltava de Boa Esperança para Pinheiros o deputado começou a lhe fazer perguntas maliciosas para ela. Ela havia passado por uma cirurgia de lipoaspiração há 15 dias e, por recomendação médica, usava uma cinta abdominal, acessório que, segundo a vítima, pode ter ajudado a evitar a consumação do estupro.
Débora contou ainda que o deputado perguntou sobre a cirurgia e ela respondeu que já havia sido liberada pelo médico para trabalhar. Ele, então disse que não queria saber sobre o trabalho e, segundo a vítima, queria saber se ela poderia fazer sexo. Em seguida, de acordo com o depoimento de Débora, o deputado passou a se declarar, eroticamente, para vítima. Já nas proximidades de Pinheiros, Gildevan teria parado o carro e pediu à vítima que fizesse uma massagem no seu pênis. O deputado teria pegado na mão de Débora bruscamente e a colocando no seu órgão genital.
Débora é filha do pastor da Igreja Presbiteriana de Pinheiros frequentada pelo deputado e pela família dele. Além disso, é funcionária pública concursada da prefeitura do município. Quando denunciou o deputado, o procurador do caso, Josemar Moreira, chegou a lhe oferecer proteção policial, que foi recusada pela vítima. As outras duas estão sob proteção e uma delas, inclusive, é parente de Gildevan Fernandes.
Comente essa notícia | +Comentários
Leia também nesta edição
Estupro:Em depoimento no MPES, mãe declara que deputado tentou abusar da filha
maio 26, 2012
No comments






0 Comments:
Postar um comentário
Para o Portal Todos Contra a Pedofilia MT não sair do ar, ativista conclama a classe política de MT
Falta de Parceiros:Falsos militantes contra abuso sexual e pedofilia sumiram, diz Ativista
contato: movimentocontrapedofiliamt@gmail.com