Horas depois de anunciar sua pré-candidatura ao Senado Federal e defender o nome da primeira-dama Virginia Mendes para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, o ex-governador de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), passou a figurar como investigado em um procedimento que apura a relação entre governos estaduais e operações ligadas ao Banco Master.
A informação foi revelada nesta quarta-feira (24) pela jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, segundo a qual o Superior Tribunal de Justiça (STJ), a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), abriu investigação para apurar possíveis irregularidades no processo de credenciamento do Credcesta, modalidade de crédito consignado vinculada ao Banco Master e oferecida a servidores públicos estaduais. A apuração tramita sob sigilo.
O caso remonta a 2023, quando Mauro Mendes ainda comandava o Palácio Paiaguás. Naquele ano, um decreto estadual criou uma margem consignável específica de 10% destinada a cartões de benefício para servidores públicos e pensionistas. Dias depois, o Banco Master solicitou autorização para operar o Credcesta em Mato Grosso, iniciando um processo que acabou aprovado pela administração estadual em curto espaço de tempo.
A autorização oficial foi publicada no Diário Oficial em junho daquele ano, com validade até 2028.
Segundo a reportagem, a rapidez do credenciamento e a sequência dos atos administrativos passaram a integrar o conjunto de elementos analisados pelos investigadores. O procedimento também busca compreender se houve ou não tratamento diferenciado à instituição financeira em comparação a outros agentes do mercado.
O episódio ganha relevância em razão do momento vivido pelo Banco Master. Nos últimos meses, a instituição e empresas ligadas ao grupo passaram a figurar em diferentes investigações e apurações envolvendo operações de crédito consignado, fintechs e contratos firmados em diversos estados brasileiros. O modelo Credcesta, inclusive, tornou-se alvo de questionamentos de entidades representativas de servidores públicos, que relatam casos de superendividamento e dificuldades na compreensão dos contratos firmados.
Em Mato Grosso, o tema já vinha produzindo desdobramentos antes mesmo da revelação da nova investigação. Durante depoimentos prestados em comissões parlamentares e em manifestações encaminhadas a órgãos de controle, foram levantados questionamentos sobre operações financeiras ligadas ao sistema de consignados e à atuação de empresas associadas ao Banco Master no Estado.
Mauro Mendes nega qualquer irregularidade. Em manifestação divulgada à imprensa, o ex-governador sustenta que todos os atos de sua gestão observaram a legislação e os princípios da administração pública. Também argumenta que outras instituições financeiras foram credenciadas no mesmo período e que o Banco Master não recebeu tratamento privilegiado por parte do governo estadual.
Embora a investigação esteja em fase inicial e não represente qualquer conclusão sobre responsabilidade dos envolvidos, sua abertura produz inevitáveis reflexos políticos. Mauro Mendes é apontado como um dos principais nomes do campo governista para a disputa ao Senado em 2026 e vinha concentrando esforços na construção de seu projeto eleitoral.
Nesse contexto, a apuração do STJ adiciona um novo elemento ao debate político mato-grossense. Mais do que discutir os atos administrativos relacionados ao credenciamento do Credcesta, a investigação poderá colocar sob escrutínio decisões tomadas durante um dos períodos de maior expansão do mercado de crédito consignado e de produtos financeiros voltados ao funcionalismo público brasileiro.







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