Sérgio Ricardo defende uso de mão de obra prisional e anuncia reunião com setores da indústria e comércio

 O exemplo mais concreto está no ateliê de costura da unidade, que pode produzir peças para o estado

A imagem é uma fotografia colorida que retrata um grupo de pessoas caminhando em um espaço externo que parece ser um pátio ou área de serviço industrial. Do lado esquerdo, uma mulher de cabelos castanhos longos, vestindo camisa branca, calça preta e segurando uma prancheta, acompanha um homem barbudo com boné, camisa azul clara e jeans. Ao centro, seguem outros dois homens de camisa branca e calça social, um deles com uma pasta na mão. Mais adiante, uma mulher de cabelos escuros e camisa preta, com calça jeans, e um homem de camisa azul clara e calça jeans completam o grupo. Ao fundo, outros indivíduos estão visíveis, caminhando na mesma direção. O chão é de concreto, com uma grade de metal no primeiro plano. O cenário inclui paredes brancas e telhados de metal, sugerindo uma construção utilitária.
Presidente Sérgio Ricardo vistoriou a Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto, em Cuiabá, nesta quarta-feira. Clique aqui para ampliar

O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, defendeu a ampliação do uso da mão de obra prisional no estado como solução para o estado reduzir custos, gerar renda e ressocializar ao mesmo tempo. Durante visita à Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto, em Cuiabá, nesta quarta-feira (27), junto do desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), o presidente também anunciou reunião com lideranças do setor produtivo para discutir o tema. 

O exemplo mais concreto está no ateliê de costura da unidade, com 91 máquinas e 120 reeducandas em operação. A produção inclui uniformes escolares, colchões, sofás e almofadas. "O Estado pode pagar até 60% menos no uniforme produzido aqui, com a mesma qualidade, por profissionais aqui dentro, super treinados", afirmou. 

Conforme informado na visita, o Estado já adquiriu 100 mil camisetas da Fundação Nova Chance, entidade que viabiliza as compras das camisetas. O consumo anual de uniformes do sistema estadual chega a 1 milhão de peças. "Essas pessoas vão sair daqui com uma profissão, vão conseguir lá fora arrumar um trabalho. É uma situação em que todos ganham. É uma solução do bem”, disse Sérgio Ricardo. 

Diante disso, também anunciou que tratará sobre o tema em reunião com representantes da Federação do Comércio (Fecomércio) e da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), na próxima semana. A iniciativa também deverá integrar o Plano de Metas Mato Grosso 2050, política de Estado em elaboração pelo TCE-MT. "O dinheiro público aplicado na segurança tem que chegar lá na ponta", acrescentou Sérgio Ricardo.

Tony Ribeiro/TCE-MTFotografia em ambiente interno mostra dois homens em primeiro plano e outras pessoas ao fundo. À esquerda, um homem de camisa azul e branca segura um celular com a mão esquerda, enquanto aponta com a mão direita para algo fora do campo de visão. No centro, um homem de cabelos grisalhos e camisa branca observa atentamente um equipamento azul com duas alças, que está sobre uma superfície. À direita desse homem, outro indivíduo com camisa branca e gravata observa a mesma cena. Ao fundo, há mais pessoas, incluindo uma mulher sentada com um tablet, em um ambiente que parece ser um escritório ou local de trabalho, com teto branco e luzes fluorescentes.
O modelo de fornecimento de alimentação nas unidades prisionais também está em discussão no TCE-MT.  Clique aqui para ampliar

Na ocasião, o desembargador Orlando Perri reforçou o potencial das iniciativas de trabalho apresentadas. "A oficina de costura está começando a movimentar, estamos em fase de treinamento, mas já pudemos mostrar um pouco dessa realidade”, disse.

Supervisor do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF-TJMT), Perri reforçou a visão do conselheiro sobre a necessidade de uma política de Estado para o setor. "O conselheiro Sérgio Ricardo pretende criar uma política de Estado para o Mato Grosso até o ano de 2050. Evidentemente que está absolutamente correto em incluir nessa política o sistema prisional, que é a base da segurança pública no Brasil", afirmou. 

O titular da Secretaria de Estado de Justiça (Sejus-MT), Valter Furtado, reforçou que avanços no sistema prisional dependem de atuação integrada entre as instituições. "A gente só ressocializa com trabalho e com dignidade. Se a gente não caminhar juntos, a gente não vai melhorar", disse.

Já diretora da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto, Keila Adriana Arruda Marques, destacou que a cooperação entre as instituições fortalece um objetivo comum. "Tem essa cooperação entre as instituições que só fortalece o nosso objetivo, bem como o dever institucional, que é promover a garantia dos direitos das pessoas privadas de liberdade."

Revisão do modelo de alimentação no sistema prisional

O TCE-MT também discute o modelo de fornecimento de alimentação nas unidades prisionais. No começo de maio, foi iniciada a revisão da solução pactuada na Mesa Técnica 1/2023, atendendo a pedido da Sejus-MT, que aponta dificuldades para a implantação de cozinhas dentro das unidades.

A revisão contará com a participação do TJMT, Ministério Público Estadual, Defensoria Pública e Secretaria de Segurança Pública, seguindo o rito de consensualismo que orientou os trabalhos originais, concluídos em agosto de 2023.

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