O conselheiro Antonio Joaquim liderou no Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) uma importante discussão sobre os limites da chamada “quarteirização” nas contratações públicas, ao manter suspenso um pregão eletrônico de R$ 22,5 milhões da Prefeitura de Porto Esperidião destinado à aquisição de medicamentos.
A decisão, homologada por unanimidade pelo Pleno do TCE-MT, reforça a atuação preventiva do Tribunal na fiscalização dos recursos públicos e busca garantir que modelos inovadores de contratação sejam adotados somente quando comprovada sua legalidade, eficiência e vantagem para a administração pública.
Relator do processo, Antonio Joaquim determinou o aprofundamento da análise técnica após identificar possíveis riscos na transferência a uma empresa intermediadora de atividades estratégicas relacionadas à compra de medicamentos, como seleção de fornecedores, formação de preços e operacionalização das aquisições.
Segundo o conselheiro, a assistência farmacêutica possui características próprias por envolver uma política pública essencial, que exige planejamento, controle de estoque, abastecimento contínuo e garantia de atendimento à população.
“A utilização da prática exige especial cautela, pois altera a lógica tradicional das contratações públicas ao transferir à empresa gerenciadora atribuições relevantes relacionadas à seleção dos fornecedores, à formação dos preços e à operacionalização das aquisições”, destacou Antonio Joaquim.
O relator explicou ainda que a jurisprudência admite modelos semelhantes em situações específicas, como gerenciamento de combustíveis e manutenção de frotas, mas ressaltou que a compra de medicamentos demanda uma análise mais criteriosa devido ao impacto direto na saúde pública.
A decisão também considerou que não havia risco imediato de desabastecimento no município, já que o Tribunal identificou a existência de empenhos recentes para aquisição de medicamentos junto a outros fornecedores.
Fiscalização técnica e defesa do interesse público
A atuação de Antonio Joaquim no caso demonstra o papel do TCE-MT como órgão de controle que busca prevenir problemas antes que contratos sejam executados, evitando possíveis prejuízos e garantindo maior segurança jurídica para a administração pública.
Durante a sessão, o presidente do TCE-MT, conselheiro Sérgio Ricardo, reforçou a importância do debate ao apresentar dados sobre o cenário das contratações públicas em Mato Grosso, destacando a necessidade de ampliar a discussão sobre competitividade, planejamento e transparência nos processos de compras.
O vice-presidente do Tribunal, conselheiro Waldir Teis, e o corregedor-geral, conselheiro Guilherme Antonio Maluf, também manifestaram preocupação com a expansão indiscriminada do modelo de quarteirização em diferentes áreas da administração pública.
TCE-MT amplia debate sobre modernização das contratações
Ao manter a suspensão do pregão, Antonio Joaquim destacou que a medida busca preservar a utilidade do processo de controle externo e permitir uma avaliação técnica completa antes de qualquer contratação definitiva.
Segundo o conselheiro, iniciar a execução de um contrato dessa magnitude antes da conclusão das análises poderia gerar dificuldades futuras de reversão, especialmente pela criação de redes de fornecedores e pela continuidade operacional do serviço.
A decisão abriu caminho para uma discussão mais ampla no Tribunal de Contas, com a proposta de realização de reunião técnica envolvendo o Ministério Público de Contas e áreas especializadas do TCE-MT para uniformizar entendimentos sobre a utilização da quarteirização em diferentes setores da administração pública.
Com decisões fundamentadas em critérios técnicos e foco na proteção do interesse público, Antonio Joaquim reforça a atuação do TCE-MT na busca por contratações mais eficientes, transparentes e alinhadas aos princípios da boa gestão pública.






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