O principal obstáculo do Conselho Tutelar de Matão é fazer a população entender seu trabalho e colaborar
Todos os dias, o Conselho Tutelar de Matão atende entre 12 e 15 casos, sendo em sua grande maioria de maus-tratos e abuso sexual praticados contra crianças e adolescentes, principalmente envolvendo pais usuários de droga. As denúncias chegam das mais variadas formas, entre ligações anônimas, e-mails e até cartas. O trabalho é mantido pela Prefeitura e coordenado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (Concriama). Por ser uma cidade com mais de 50 mil habitantes, Matão teria direito a ter uma segunda equipe de conselheiros, porém o trabalho continua sendo desempenhado por apenas cinco mulheres que foram eleitas em votação e ficam no cargo por até três anos. O pré-requisito é ter formação em Direito ou Assistência Social.

Raqueline, Lúcia Aparecida, Ana Maria, a presidente Andrea e Flávia Andréia: conselheiras tutelares de Matão
Foto: Fabiano Vagner
Para a diretora do Conselho, a advogada Andrea Rodrigues Serafim, o maior obstáculo enfrentado hoje é o pouco conhecimento da população sobre a função do Conselho Tutelar. “Quando as pessoas nos veem, logo pensam que vamos levar as crianças, e isso é um erro, pois nosso trabalho é tentar reestruturar a família para que os menores tenham condições de uma vida digna”, completa.
A diretora observa, porém, uma modesta aceitação em parte da população nos últimos anos, devido às campanhas de divulgação. Conselheira pelo 3º mandato, ela ressalta que em Matão, apesar do grande número de casos, o trabalho é feito com êxito graças à eficácia da rede a serviço do menor. “O Poder Judiciário está sempre à nossa disposição, dando agilidade aos processos. Quando precisamos sair em diligência fora do horário de expediente, a Guarda Municipal sempre está conosco, resguardando o nosso trabalho. No caso de assistência psicológica e de saúde para uma família desestruturada, acionamos as assistentes sociais de cada bairro. Por isso, nosso trabalho é eficaz e consegue atender de todas as formas”, diz Andrea. As cinco conselheiras trabalham em esquema de revezamento de plantão, 24 horas por dia, todos os dias da semana, incluindo feriados.