Presidente do PP, vice-presidente do diretório, integrante da comissão, deputado do União Brasil e presidente da convenção deram respostas diferentes para a mesma pergunta
Quem decide, ao final, se a Federação União Progressista lança candidato próprio ao governo de Mato Grosso ou apoia a reeleição de Otaviano Pivetta recebeu cinco respostas diferentes nesta quinta-feira (30), dadas por cinco lideranças do mesmo bloco ao longo de um único dia de convenções em Cuiabá. Enquanto os convencionais do União Brasil depositavam seus votos, as regras que definirão o valor daquele resultado continuavam em disputa entre os próprios dirigentes.
Nilson Leitão respondeu primeiro. Presidente estadual do Progressistas, afirmou antes da convenção do partido que o PP não decidiria isoladamente entre Pivetta e o senador Jayme Campos, que a palavra caberia à federação e que não seria possível declarar apoio a quem ainda não é candidato homologado, já que a convenção do Republicanos ocorre apenas em 4 de agosto. O edital de convocação do PP seguia a mesma linha, ao estabelecer que a escolha da chapa majoritária ficaria a cargo dos órgãos competentes da federação.
Cidinho Santos deu a segunda resposta, horas depois, dentro da mesma convenção. Vice-presidente do diretório estadual da federação, anunciou em ligação por vídeo com Pivetta que o partido havia decidido por unanimidade apoiar a reeleição do governador e que encaminharia a posição à federação. O apoio do PP a Pivetta é público desde 24 de junho, quando o próprio Cidinho disse que seria sacramentado em convenção.
Margareth Buzetti apresentou a terceira. Suplente de senadora e uma das sete pessoas que integram a comissão estadual da federação, afirmou que o colegiado provavelmente não precisaria se reunir, porque a definição viria antes, na convenção do União Brasil. Ao ser perguntada como votaria se o caso chegasse à comissão, disse que a hipótese nem deve se concretizar.
Júlio Campos deu a quarta. O deputado estadual sustentou que, havendo divergência entre os dois partidos, a decisão sobe para a comissão estadual, e que os cinco integrantes vindos do União Brasil estão obrigados a cumprir o que a convenção decidir, independentemente da posição pessoal de cada um. Afirmou que a regra vale nos dois sentidos e que o grupo aceitará o resultado caso Jayme perca.
Mauro Mendes deu a quinta, já no plenário. Presidindo a convenção, disse que consultou o departamento jurídico da direção nacional sobre o procedimento e leu a resposta aos convencionais. Afirmou que buscou agir de forma transparente para que a decisão tomada em Cuiabá tenha amparo dentro dos requisitos legais depois, e registrou que os questionamentos apresentados podem gerar desdobramentos futuros. Em declarações anteriores, já havia dito que a decisão estadual depende de homologação da cúpula nacional.
A comissão estadual reúne sete nomes. Mauro Mendes preside o colegiado, Cidinho Santos ocupa a vice-presidência, e completam o grupo Margareth Buzetti, Jayme Campos, o deputado federal Fábio Garcia, o deputado estadual Dilmar Dal Bosco e o presidente da MT Gás, Aécio Rodrigues. Cinco vieram do União Brasil e dois do Progressistas.
O desenho do processo, conforme divulgado pelas próprias lideranças, prevê que cada partido realize sua convenção. Havendo consenso, a federação segue a decisão. Havendo divergência, a comissão estadual delibera. Persistindo o impasse, a executiva nacional define qual projeto será adotado em Mato Grosso. É nesse último degrau que as versões mais se afastam, porque a direção nacional é apontada como alinhada a Mauro Mendes. Jayme Campos afirma ter o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para levar a candidatura própria à direção nacional do União Brasil, presidida por Antônio Rueda.
A tese defendida pelo grupo de Jayme passa a produzir efeito nos dois sentidos com o anúncio do PP. Se cada representante fica vinculado à decisão da própria convenção, e se o Progressistas deliberou por Pivetta enquanto o União Brasil eventualmente decidir por Jayme, a comissão chegaria à reunião com cinco votos comprometidos com uma posição e dois com a outra.
A votação no União Brasil começou às 12h45 e as urnas ficam abertas por cinco horas, na Câmara de Dirigentes Lojistas. Mauro Mendes informou que 51 convencionais estão aptos, número que variou entre 48 e 52 nos registros divulgados até a véspera. Há divergência também sobre o quórum de aprovação, com veículos indicando maioria simples e outros informando exigência de três quintos dos habilitados. O Republicanos oficializa a candidatura de Pivetta em 4 de agosto, no Ginásio Dom Aquino. Todos os nomes precisam estar registrados na Justiça Eleitoral até 5 de agosto.







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