A convenção do União Brasil em Mato Grosso revelou muito mais do que uma disputa interna. Ela colocou frente a frente duas trajetórias políticas completamente diferentes.
De um lado está o senador Jayme Campos, um dos principais responsáveis pela construção da base política que hoje sustenta o União Brasil em Mato Grosso. Sua história é marcada pela lealdade aos grupos políticos que ajudou a fortalecer, pelo diálogo permanente com prefeitos, vereadores, lideranças regionais e pela defesa da democracia interna do partido.
Do outro lado está Mauro Mendes, que atualmente preside o União Brasil em Mato Grosso, mas cuja trajetória política foi marcada por passagens por diferentes legendas ao longo da carreira. Antes de chegar ao atual partido, Mauro disputou eleições por outras siglas e construiu sua caminhada política em diferentes projetos partidários. Esse histórico é público e demonstra que sua vinculação ao União Brasil é mais recente do que a de muitas lideranças que ajudaram a construir a legenda.
É justamente por isso que muitos filiados defendem que Jayme Campos possui legitimidade histórica para pleitear a candidatura ao Governo do Estado. Afinal, quando diversas lideranças buscavam espaço político, Jayme já exercia protagonismo na organização partidária em Mato Grosso.
Aliados do senador lembram que Mauro Mendes recebeu apoio importante de Jayme Campos em momentos decisivos de sua trajetória política. Na visão desse grupo, quem foi acolhido e fortalecido pelo partido deveria reconhecer a contribuição daqueles que ajudaram a consolidar o projeto político do União Brasil no Estado.
As manifestações registradas durante a convenção, incluindo vaias dirigidas a Mauro Mendes, refletem a insatisfação de uma parcela dos convencionais com a condução do processo interno. Independentemente do resultado da votação, elas evidenciam que existe um debate legítimo sobre os rumos da legenda e sobre a necessidade de respeitar a vontade da maioria dos filiados.
A democracia partidária pressupõe diálogo, respeito e participação. Nesse aspecto, Jayme Campos defendeu reiteradamente que as decisões fossem construídas ouvindo os convencionais e valorizando a história do partido em Mato Grosso. Em diversas oportunidades, o senador criticou a condução do União Brasil por entender que faltaram reuniões, articulação e maior participação da militância nas decisões estratégicas.
Mais do que uma disputa entre nomes, o momento representa um confronto entre duas visões de partido: uma que valoriza a história, a fidelidade e a construção coletiva, representada por Jayme Campos; e outra que prioriza uma estratégia política voltada às alianças eleitorais para 2026, defendida por Mauro Mendes. Caberá aos convencionais decidir qual caminho desejam seguir, preservando o direito de cada liderança defender seu projeto dentro das regras democráticas do partido.






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